Pesquisas recentes têm indicado que os agonistas GLP-1, popularmente conhecidos como 'canetinhas emagrecedoras', podem estar associados a uma redução na recorrência de alguns tipos de câncer e a uma melhora na sobrevida dos pacientes. Esses medicamentos, que originalmente foram desenvolvidos para o tratamento do diabetes e atualmente são utilizados para a obesidade, estão despertando o interesse da comunidade oncológica. Contudo, os dados disponíveis são observacionais, o que impossibilita estabelecer uma relação de causa e efeito definitiva.
O tecido adiposo, especialmente a gordura visceral, exerce uma atividade biológica significativa, contribuindo para uma maior produção de estrogênios, alteração das adipocinas e inflamação crônica de baixo grau. Tais mecanismos podem favorecer a proliferação celular e criar um ambiente propício ao desenvolvimento e à progressão de tumores. Esse fenômeno explica a ligação entre o excesso de gordura corporal e o aumento do risco de diversos tipos de câncer, incluindo os de endométrio, mama, cólon, reto, fígado, rim, pâncreas e esôfago.
No Congresso da American Society of Clinical Oncology 2026 (ASCO), foram apresentados dados de uma análise retrospectiva que comparou a sobrevida de pacientes com câncer colorretal que utilizaram agonistas GLP-1 após o diagnóstico com aqueles que não fizeram uso dos medicamentos. Os resultados mostraram que a taxa de sobrevida livre de recorrência em cinco anos foi de 89% entre os usuários de GLP-1, enquanto que para os não usuários, esse número foi de 72,8%.
Outro estudo focou em pacientes com diferentes tipos de câncer tratados com imunoterapia por inibidores de checkpoint e também revelou que o uso de agonistas GLP-1 foi associado a melhores taxas de sobrevida durante o acompanhamento de três e cinco anos. Apesar dos resultados promissores, é importante destacar que os estudos até agora são de natureza observacional e retrospectiva, o que significa que foram analisados dados de pacientes que receberam ou não a medicação, sem que se tenha estabelecido uma causalidade.
As análises realizadas até o momento utilizam técnicas estatísticas avançadas para verificar as relações entre o uso de medicamentos e os desfechos observados, mas ainda não há confirmação de que a utilização das canetas emagrecedoras cause diretamente a melhora nos resultados oncológicos. O tratamento eficaz deve ser complementado por uma estratégia nutricional individualizada, atividade física e controle de sintomas.
Atualmente, as evidências sugerem uma associação entre o uso de agonistas GLP-1 e uma melhor sobrevida ou menor recorrência em alguns grupos de pacientes oncológicos. Esses resultados justificam a necessidade de novos estudos, e a comunidade científica espera conclusões encorajadoras. O grande avanço até o momento é o reconhecimento de que a obesidade, a composição corporal, o metabolismo, a nutrição e a massa muscular são elementos essenciais no tratamento do câncer, integrando o cuidado global ao paciente oncológico.