Especialista analisa desigualdade de poder na guerra comercial entre Brasil e EUA

Análise aponta que Brasil não possui os mesmos recursos da China para retaliar tarifas dos Estados Unidos. Dependência de produtos americanos e a estrutura econômica brasileira dificultam resposta efetiva.
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A guerra comercial entre Estados Unidos e China ilustra as complexidades de uma possível retaliação brasileira às tarifas impostas pelo governo americano. Especialistas alertam que o Brasil não dispõe dos mesmos recursos que a China, como uma escala econômica significativa, capacidade de diversificação de fornecedores e um poder estatal de intervenção mais robusto.

Enquanto a China conseguiu diminuir suas compras de produtos dos Estados Unidos, como a soja, e diversificar suas parcerias comerciais, a situação brasileira é diferente. O país depende fortemente de importações de alto valor agregado dos Estados Unidos, incluindo diesel, fertilizantes, medicamentos, componentes aeronáuticos, máquinas de precisão, equipamentos médicos e semicondutores. Uma resposta do Brasil poderia resultar em um aumento de custos em setores fundamentais da economia.

O encarecimento do diesel, por exemplo, teria um impacto direto na logística do país, que se baseia majoritariamente no transporte rodoviário. Além disso, o aumento nos preços de fertilizantes e defensivos poderia pressionar os custos de produção no setor agrícola. A Embraer, reconhecida fabricante de aeronaves, também poderia sofrer consequências negativas, dado que depende de componentes americanos, como motores e aviônicos. Produtos farmacêuticos e seus insumos, que têm uma substituição mais lenta, também estariam em risco.

Outro ponto a ser considerado é a diferença no poder de barganha entre os países. A China possui um vasto mercado consumidor capaz de gerar custos para os Estados Unidos, enquanto o Brasil, apesar de sua importância no comércio global, não teria o mesmo efeito. De acordo com um estudo do BTG Pactual, o Brasil impõe barreiras não tarifárias a 86,4% de suas importações, superando a média mundial de 72%. Isso revela um contexto desafiador para o país na arena internacional.

Desta forma, a análise destaca que, diferentemente da China, o Brasil enfrenta limitações significativas que dificultam uma resposta equitativa às tarifas aplicadas pelos Estados Unidos. As particularidades econômicas e a dependência de produtos específicos moldam a dinâmica comercial e as possibilidades de retaliação do Brasil.