O vice-presidente Geraldo Alckmin abriu uma coletiva de imprensa nesta quinta-feira (16) para discutir as novas tarifas de 25% impostas pelo governo dos Estados Unidos a produtos brasileiros, que começarão a vigorar a partir de 22 de julho. Alckmin classificou a decisão como "extremamente injusta e descabida", destacando que a motivação por trás da tarifa é política e uma tentativa de interferência dos EUA no Judiciário brasileiro.
O chanceler Mauro Vieira, que se pronunciou logo após Alckmin, afirmou que não há justificativa para a imposição das novas tarifas. Vieira ressaltou que desde março de 2025, o governo brasileiro participou de mais de 30 reuniões com representantes dos EUA, apresentando dados que contradizem as alegações de aumento no desmatamento no Brasil, mencionadas pelo governo norte-americano como justificativa para a medida.
Maria Rosa Guimarães, secretária Nacional de Justiça, seguiu com as falas, argumentando que as afirmações do governo Trump sobre o combate à corrupção no Brasil ignoram as informações e estatísticas apresentadas pelo Brasil ao longo do processo. Guimarães reforçou a necessidade de diálogo e entendimento entre os países para evitar medidas que possam prejudicar as relações comerciais.
Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, também se manifestou, mencionando a pressão do governo Trump sobre o sistema de pagamentos brasileiro, o PIX, como um exemplo claro da lógica que leva à aplicação das tarifas. Para Galípolo, essa situação evidencia um desvio de foco nas discussões comerciais entre os dois países.
Por sua vez, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Márcio Elias, disse que o governo está comprometido em atender e apoiar os setores da indústria que serão mais impactados pelo novo tarifaço. Ele destacou a importância de proteger a economia brasileira e minimizar os efeitos negativos das tarifas.
A coletiva de imprensa terminou com a expectativa de que as discussões entre Brasil e Estados Unidos prossigam, visando encontrar soluções que não comprometam as exportações e a relação bilateral. O governo brasileiro continua a monitorar a situação e a preparar estratégias para responder a essa nova realidade comercial.