Brasil veta produção e comercialização de foie gras em nova legislação

A sanção da nova lei proíbe a fabricação e venda de foie gras, iguaria produzida mediante alimentação forçada de aves. A medida estabelece um prazo de 180 dias para adaptação das regras.

A produção e a comercialização de foie gras, assim como de outros alimentos obtidos por meio da alimentação forçada de animais, foram oficialmente banidas em todo o Brasil. Essa decisão foi formalizada após a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com a nova legislação publicada na quinta-feira (23). A norma estabelece um período de 180 dias para que produtores e comerciantes se ajustem às novas diretrizes.

A legislação proíbe a fabricação, venda, distribuição e comercialização de produtos alimentícios que resultem da alimentação forçada de animais. O texto menciona especificamente o foie gras, uma iguaria tradicional que utiliza o fígado de patos ou gansos submetidos a esse método de criação. A nova norma define alimentação forçada como qualquer técnica, seja manual ou mecânica, que obrigue o animal a consumir mais alimentos ou suplementos do que seria sua capacidade natural de saciedade.

Esse processo abrange o uso de tubos ou outros dispositivos que são introduzidos na garganta, esôfago, papo ou estômago das aves, caracterizando uma prática considerada cruel por organizações de defesa dos direitos dos animais. A legislação impõe penalidades para quem desrespeitar as novas regras, que incluem sanções previstas no artigo 32 da Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998), que trata dos maus-tratos contra animais.

O foie gras é uma iguaria conhecida na culinária francesa, produzida a partir do fígado de aves que passam por um processo denominado gavage. Nesse procedimento, as aves recebem grandes quantidades de alimento por meio de um tubo, o que faz com que o fígado se expanda significativamente, resultando em uma textura cremosa e sabor característico.

A produção de foie gras é um tema controverso, com defensores e opositores. Organizações de proteção animal argumentam que a alimentação forçada inflige sofrimento aos animais e configura maus-tratos. Por outro lado, produtores e apreciadores da iguaria sustentam que o método é parte da tradição culinária e que, quando realizado sob protocolos específicos, não causa danos excessivos às aves.

Com a nova lei, o Brasil se junta a outros países que já proíbem a produção e a venda de alimentos obtidos por métodos que causam sofrimento animal. As novas regras entrarão em vigor após o período de adaptação de 180 dias, permitindo que os envolvidos se adequem às exigências estabelecidas.