A construção da Itaipu Binacional é frequentemente narrada sob a perspectiva dos acordos formais e das figuras de destaque em escritórios. No entanto, muitas histórias de vida se entrelaçam na vasta obra que se desenvolveu em Foz do Iguaçu a partir dos anos setenta. Uma dessas histórias é a de Rogério Zanella, que se destacou como boxeador, mas começou sua trajetória no canteiro de obras da Itaipu em 1977, quando se juntou ao consórcio Unicon.
Zanella, inicialmente um guarda de segurança, teve sua vida transformada ao descobrir o boxe, um esporte muito popular entre os cerca de sete mil trabalhadores que estavam na obra. Ele relembra que os treinos eram sempre acompanhados por um bom público, o que representava um incentivo significativo para os atletas. "Proporcionávamos, em média, oito lutas por noite", conta Zanella, refletindo sobre a atmosfera vibrante que existia no local.
A carreira de Zanella como boxeador amador se destacou com conquistas importantes, como o título de Campeão Brasileiro de Novos em 1982, além de ser Campeão Paranaense de Peso Pesado e Campeão Sul-Brasileiro. Seu desempenho atraiu a atenção de diversos meios de comunicação, incluindo a Gazeta Esportiva, de São Paulo. Um dos momentos mais marcantes de sua trajetória ocorreu em um evento realizado na própria construção da Itaipu, onde lutou diante de 15 mil espectadores.
Nesse combate, Zanella enfrentou Adilson Maguila, um ícone do boxe brasileiro, em uma luta que ficou marcada na memória dos presentes. Apesar de perder a disputa por apenas um ponto, ele se tornou o último amador a desafiar Maguila antes que este transicionasse para a categoria profissional. A luta simbolizou não apenas a carreira de Zanella, mas também o espírito competitivo que permeava a construção da Itaipu.
Além de sua trajetória no boxe, Zanella é um dos muitos personagens que evidenciam a rica história da construção da Itaipu e suas interações com a cultura local. O acervo digital do Museu da Imprensa Foz, que possui um acervo de quase 20 mil páginas, resgata essa história, cobrindo um período que remonta a 1953. Este projeto, que conta com o apoio da Associação Guatá e da Itaipu Binacional, busca preservar e valorizar a memória da cidade e de seus habitantes.
O Museu da Imprensa Foz oferece acesso público e gratuito a documentos que contam a trajetória do município e sua relação com as Três Fronteiras, unindo Brasil, Argentina e Paraguai. Essa iniciativa destaca a importância de registros históricos que conectam o passado ao presente, permitindo que novas gerações conheçam a rica herança cultural de Foz do Iguaçu.