Na manhã desta terça-feira (4), a Polícia Federal deflagrou uma operação para investigar um esquema de descontos ilegais em benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A ação atinge familiares do senador Weverton Rocha, do PDT do Maranhão, que é o vice-líder do governo Luiz Inácio Lula da Silva no Senado.
Além dos parentes de Rocha, o advogado Willer Tomaz, conhecido por sua proximidade com o ex-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, também está entre os alvos da operação. A PF executa 18 mandados de busca e apreensão nos estados do Distrito Federal e Maranhão, com ordens judiciais concedidas pelo Supremo Tribunal Federal. As investigações visam apurar possíveis atos de lavagem de dinheiro relacionados à Operação Sem Desconto.
De acordo com informações da PF, os desdobramentos da operação surgiram após a identificação de indícios de movimentações financeiras suspeitas, que poderiam ter sido realizadas através de contas de terceiros e estruturas empresariais. O objetivo seria ocultar a origem e a destinação dos valores movimentados. Em um dos locais associados aos investigados, uma máquina para contagem de dinheiro em espécie foi descoberta.
Weverton Rocha, além de sua função como vice-líder do governo Lula, é considerado um dos principais articuladores do presidente no Maranhão. Recentemente, atuou como relator da indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal, uma nomeação que acabou sendo rejeitada pelo Congresso, marcando uma derrota significativa para o governo.
Embora a Polícia Federal esteja investigando familiares de Rocha, foi esclarecido que o senador não é alvo direto da operação. O escândalo de corrupção relacionado à Previdência levou o governo federal, em julho, a anunciar um repasse de R$ 547 milhões para compensar aposentados e pensionistas que foram afetados pelas fraudes. Além disso, a PF estima que os descontos indevidos, sem autorização, tenham ultrapassado R$ 6 bilhões, afetando associações de aposentados e pensionistas.