A questão sobre quantas pranchas um surfista deve ter é frequentemente levantada por alunos, e a resposta, embora simples, é complexa: "depende". O conceito de quiver, que se refere ao conjunto de pranchas utilizadas em diversas condições, é fundamental para um desempenho eficiente no surf. Assim como um jogador de golfe possui diferentes tacos para situações específicas, um surfista deve ter pranchas adequadas para ondas pequenas, médias, grandes, tubulares e cheias.
Para iniciantes, a recomendação é ter apenas uma prancha, preferivelmente um longboard ou um funboard, que são mais largas e estáveis, facilitando o aprendizado. Um erro comum entre novatos é optar por uma shortboard, acreditando que isso acelerará sua evolução. Na verdade, essa escolha pode levar à frustração, pois a shortboard exige habilidades de equilíbrio e leitura de ondas que levam tempo para serem desenvolvidas. A comparação é semelhante a tentar aprender a dirigir em um carro de Fórmula 1; a experiência pode ser mais prejudicial do que benéfica.
Quando um surfista começa a pegar ondas com mais consistência e a realizar manobras básicas, a necessidade de uma segunda prancha se torna evidente. Diferentes condições de mar exigem pranchas distintas. Para quem está nesse nível, uma combinação funcional é ter uma prancha maior e mais volumosa para dias de ondas pequenas, e uma prancha menor para quando as ondas são maiores ou mais rápidas. Com essas duas opções, é possível surfar bem em cerca de 90% das condições encontradas nas praias brasileiras.
Os atletas do CT (Championship Tour – Campeonato Mundial) costumam utilizar uma variedade de pranchas adaptadas para cada situação, refletindo a importância de um quiver diversificado. No caso do redator, ele destaca a importância de manter pranchas que trazem memórias, além de equipamentos funcionais. Atualmente, ele possui um quiver equilibrado, que inclui um longboard clássico para dias de mar calmo, uma prancha progressiva para condições mais agitadas e uma prancha mix, que combina características de ambas, permitindo treinos em diversos tipos de mar.
Independentemente do nível de habilidade, é aconselhável que os surfistas mantenham um diálogo constante com seus shapers e busquem conhecimento sobre pranchas e técnicas. O aprendizado contínuo e a troca de experiências com outros surfistas são essenciais, pois sempre há novidades que podem impactar positivamente a prática do surf. Até a próxima!