Interlocutores do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) consideram que as negociações comerciais com os Estados Unidos, que incluem o tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros, devem ser retomadas apenas após as eleições presidenciais deste ano. A análise predominante sugere que a administração de Donald Trump não considera vantajoso engajar-se em conversas com um governo que não atende às exigências desejadas pelos EUA, especialmente a menos de três meses do pleito que definirá o próximo presidente da República até 2030.
O governo norte-americano apresentou ao Brasil a demanda por medidas que restrinjam investimentos estrangeiros no setor de minerais críticos e terras raras provenientes de atores “extra-hemisféricos”, o que, segundo auxiliares brasileiros, teve como alvo implícito a China. Essa solicitação foi feita no início deste ano, durante uma das rodadas de negociações entre equipes de alto nível de ambos os países sobre as relações comerciais.
O Brasil, no entanto, rejeitou a proposta, considerando-a inadequada. No que diz respeito a minerais críticos e terras raras, o presidente Lula defende a universalidade dos investimentos, sem priorização de parceiros comerciais, e propõe que o refino ocorra em território nacional, com o intuito de desenvolver a indústria e fortalecer a economia brasileira. O país possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, ficando atrás apenas da China.
Além disso, autoridades dos EUA solicitaram a abertura total do setor químico, a eliminação das tarifas sobre bens industriais e maior acesso ao mercado automotivo, entre outras demandas. Essas propostas foram recusadas pelo governo brasileiro, que identificou possíveis prejuízos para setores nacionais.
Apesar da tarifa programada para entrar em vigor na próxima quarta-feira (22/7), a orientação do Executivo é buscar a ampliação da lista de exceções, que já abrange mais de 2 mil categorias de produtos brasileiros. No curto prazo, a administração Lula não vislumbra uma disposição dos EUA para avançar nesse diálogo. Há uma cautela em relação às manifestações públicas de Lula sobre o tema, considerando que qualquer declaração direta de Trump será avaliada em termos de resposta pública do presidente brasileiro.
Na última sexta-feira (17/7), durante compromissos no Rio de Janeiro, Lula declarou que aguardará um posicionamento direto do líder norte-americano antes de se pronunciar sobre o tarifaço. Ele mencionou ainda a intenção de travar uma “guerra da narrativa e da verdade” sobre o assunto e destacou que Trump “vai ter que aprender a fazer guerra” utilizando a “arma da palavra”.