Modelo inovador de vendas baseado em transmissões ao vivo começa a atrair a indústria ao reduzir tempo, custos e ampliar o alcance

Live commerce transforma as vendas B2B da indústria ao permitir negociações em tempo real, ampliar o alcance comercial e gerar alto ROI. Entenda como empresas como a EMS estão usando a tecnologia para acelerar pedidos
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Indústria registra ganho de R$25 milhões em apenas 90 minutos com live commerce

O live commerce começa a ganhar espaço como ferramenta de vendas para a indústria — e os números já dão a dimensão desse movimento. Um indicativo disso é que, em apenas uma transmissão recente, realizada por intermédio da plataforma brasileira Netshow.me, foram comercializados R$25 milhões em pedidos em 90 minutos.

Para Daniel Arcoverde, cofundador da empresa, que estrutura operações de live commerce no país, esse cenário evidencia uma mudança relevante no modelo de sell-in, tradicionalmente baseado em representantes comerciais e visitas presenciais, e que vem sendo alterado em todo o mundo à medida que as relações se digitalizam.

“Por muito tempo, as vendas aconteciam por meio de representantes em campo, catálogos impressos e negociações individuais. Esse arranjo funcionou enquanto o acesso à informação era concentrado no vendedor, mas essa dinâmica agora está no digital”, afirma Arcoverde.

Daniel Arcoverde, cofundador da Netshow.me

Um estudo da Veritatem School mostra que 80% do processo de compra acontece on-line antes mesmo do primeiro contato com o time comercial. Além disso, 90% dos compradores corporativos iniciam suas pesquisas na internet, em busca de informações e soluções antes de falar com qualquer vendedor. “Na prática, isso significa que o time comercial entra em cena quando grande parte da decisão já está tomada”, diz o especialista.

Mas o que ainda sustenta a decisão — principalmente no B2B, modelo em que empresas vendem para outras empresas — é o fechamento, ou seja, o momento da interação, do olho no olho, ainda que mediado por uma tela.

“Chegamos a um ponto em que o marketing já engajou por meio de conteúdo, automação e dados. Mas, depois disso, no mercado B2B, a presença continua sendo determinante — só que agora ela também pode ser digital. É aí que o jogo muda. No live commerce, você mantém essa proximidade, mas com um alcance muito maior. Em outras palavras, você está perto, demonstra o produto e cria interação em escala”.

Daniel explica que, no modelo presencial, um representante consegue visitar de dois a cinco clientes por dia, considerando deslocamento, reunião e negociação. Já no ambiente digital, o live commerce permite reunir centenas de empresas em uma única transmissão, com catálogo integrado, condição comercial ativa e fechamento de pedidos em tempo real.

Ele destaca ainda que o live commerce B2B permite, por exemplo, fechar milhões em vendas em poucos minutos, com retorno sobre investimento (ROI) superior a 2.000% por transmissão. “Nesse ambiente, lojistas podem interagir diretamente, fazer perguntas e realizar pedidos a partir de múltiplos CNPJs, reduzindo a necessidade de agendas e visitas presenciais, práticas que historicamente representam custos fixos do sell-in tradicional”, afirma Arcoverde.

Um dos setores que mais têm adotado o live commerce para potencializar vendas, ampliar o relacionamento com o varejo e ganhar escala é o farmacêutico.

“Usamos o live commerce para nos relacionarmos com o varejo farmacêutico. O formato integra conteúdo técnico, condições comerciais e portfólio promocional em um mesmo ambiente digital, ampliando a conexão com pequenas farmácias, independentes e redes de médio porte. É um modelo que combina informação e venda, com potencial de gerar novas receitas e ampliar o alcance da indústria”, conta Pedro Dias, diretor de inovação da EMS, uma das maiores do setor na América Latina. A expectativa é expandir essa operação ao longo de 2026 e 2027.

Além disso, esse novo formato de comunicação também atua como instrumento de educação do ponto de venda (sell-out). Isso porque, durante as transmissões, distribuidores e revendedores recebem informações técnicas, treinamentos e ofertas exclusivas que facilitam a venda no varejo — um elemento que, muitas vezes, ficava fora do alcance quando o contato dependia exclusivamente de visitas físicas.

As transmissões costumam reunir um executivo — responsável por aprofundar os detalhes técnicos e estratégicos dos produtos — e um apresentador profissional, que conduz a dinâmica e mantém o engajamento da audiência.

De acordo com o executivo da Netshow.me, o impacto desse modelo recai diretamente sobre três indicadores centrais da operação industrial:

  • Giro de estoque: a concentração de pedidos em eventos programados aumenta a previsibilidade da demanda.
  • Capital de giro: ciclos mais curtos reduzem o intervalo entre oferta, pedido e faturamento.
  • Produtividade comercial: menor dependência de deslocamentos e maior alcance por ação.

Mais informações: https://netshow.me/

Foto Crédito: Divulgação