Na última segunda-feira (20), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, expressou sua oposição a qualquer tentativa de invasão em Cuba, afirmando que "sou contra qualquer país do mundo a se intrometer na ingerência interna de outras nações". A declaração foi feita durante uma visita à Alemanha, onde Lula se encontrou com o chanceler Friedrich Merz e assinou um acordo entre Brasil e Alemanha.
Lula destacou a situação de Cuba, que, segundo ele, é "vítima de um bloqueio de 70 anos, que é uma vergonha mundial". O presidente argumentou que a ilha não teve a oportunidade de se desenvolver após a revolução devido à pressão de uma potência, referindo-se aos Estados Unidos. O comentário surge em um contexto de crescente tensão, especialmente após o ex-presidente Donald Trump ameaçar a ilha, afirmando que, após o Irã, poderia "dar uma passada em Cuba".
As tensões entre os Estados Unidos e Cuba se intensificaram em janeiro, quando os norte-americanos capturaram Nicolás Maduro, aumentando a atenção sobre a ilha caribenha. Desde então, o governo republicano tem buscado intensificar sua ofensiva diplomática e econômica contra o regime cubano, uma estratégia interpretada por analistas como uma tentativa de desviar o foco da mídia e reafirmar a posição dos EUA no cenário global.
Além de se posicionar contra a invasão a Cuba, Lula também fez críticas à paralisia da Organização das Nações Unidas (ONU). Ele defendeu uma reformulação no Conselho de Segurança, afirmando que "entre a ação dos que provocam guerras e a omissão dos que ficam calados, a ONU está mais uma vez paralisada". O presidente ressaltou a necessidade de mais diálogo e multilateralismo, pedindo uma renovação na estrutura do Conselho.
Lula enumerou países que, segundo ele, deveriam ter uma participação mais ativa no Conselho de Segurança, citando a Etiópia como um exemplo. O presidente também comentou sobre a exclusão da África do Sul do G20, afirmando que os Estados Unidos não têm o direito de proibir um membro do G20 de participar do encontro. Essa afirmação foi uma resposta ao anúncio de Trump, que, no final de 2025, declarou que a África do Sul não seria convidada para a cúpula do G20 devido a sua recusa em abordar abusos de direitos humanos sofridos por descendentes de colonos europeus.
Diante desse cenário, as declarações de Lula refletem uma posição clara em defesa da soberania de Cuba e uma crítica à ineficácia da ONU em lidar com as crises globais, propondo a necessidade de um novo enfoque para a diplomacia internacional.