Pedido de suspeição pode afastar Nunes Marques de caso do Banco Master

Senadores protocolaram um pedido de suspeição no STF, alegando a relação entre o ministro Kassio Nunes Marques e o senador Ciro Nogueira, que é alvo de investigações da Polícia Federal.
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O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), pode ser afastado da relatoria da ação que busca a instalação de uma CPI para investigar o Banco Master. Nesta quinta-feira (7), senadores apresentaram um pedido de suspeição ao STF, citando a relação próxima do ministro com o senador Ciro Nogueira, do Partido Progressistas (PP-PI).

O pedido foi assinado pelos senadores Alessandro Vieira, do MDB de Alagoas, e Eduardo Girão, do Novo do Ceará. Essa iniciativa ocorreu no mesmo dia em que Ciro Nogueira se tornou o principal alvo de uma operação da Polícia Federal, que investiga um esquema de fraudes financeiras ligado ao Banco Master e ao banqueiro Daniel Vorcaro.

Alessandro Vieira destacou a necessidade de que o mandado de segurança relacionado à CPI do Master seja tratado por outro ministro do STF, devido à relação íntima e notória entre Nunes Marques e Nogueira, que agora é oficialmente investigado no caso.

Ciro Nogueira, que foi um dos principais apoiadores da indicação de Nunes Marques ao STF em 2020 durante o governo de Jair Bolsonaro, possui uma longa trajetória de colaboração política com o ministro. Ambos são originários do Piauí e têm vínculos históricos no cenário político e jurídico regional.

O senador Ciro Nogueira foi alvo da quinta fase da Operação Compliance Zero, que investiga irregularidades relacionadas ao Banco Master e ao empresário Daniel Vorcaro. Documentos revelam que Nogueira recebeu benefícios, como voos privados e imóveis de alto padrão pertencentes ao banqueiro, em troca da apresentação de projetos de lei que favoreciam Vorcaro.

Um dos projetos de lei de interesse do banqueiro foi a Emenda nº 11, que foi inserida na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 65, em agosto de 2024. Essa emenda aumentava a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante.