Existem coisas que somente a experiência de uma vida pode ensinar. A história de meu pai é um exemplo disso. Meu pai, um homem que foi forjado por meio de desgraças prematuras, perdeu os pais muito cedo e foi criado por sua irmã mais velha. Ele aprendeu a se virar sozinho, a se sustentar e a ser forte em um mundo difícil.
A trajetória do meu pai ilustra o que Roosevelt chamava de “o homem na arena”; o homem que pisa no mundo e aprende sem lousas e ChatGPT. Ele não teve muito tempo de reflexão para entender que precisava ser forte e justo em seu mundo.
Ele não teve aquele sucesso profissional que faz reels viralizarem e coachs contarem sua história em palestras milionárias. Até afastar-se do trabalho após um acidente, meu pai sempre foi um homem resignado como cobrador de ônibus.
Certa vez, tomando uma cerveja com ele, perguntei: “O senhor já sofreu racismo?”, ele disse: “Muitas vezes” e se calou. Insisti: “Mas o que o senhor fez?”, ele respondeu: “Fui melhor que o racista”.
Meu pai não é dado a divagações — a não ser sobre religião e futebol, é claro —, em questões morais, quando eu era adolescente.
Afinal, o homem fraco, quando escutar seu grito de socorro, hesitará e, no máximo, pedirá ajuda ao Estado enquanto lamenta sua tremedeira embaixo de um edredom florido; o homem forte, por sua via, arrombará a porta do apartamento pronto para resolver o que o aflige.