Lobista menciona advogado em suposta negociação de cannabis com governo federal

Mensagens de Roberta Luchsinger, Amiga de Lulinha, indicam conexão entre advogado Otto Medeiros e o ministro Kassio Nunes Marques em negócios de cannabis. Nunes Marques nega qualquer relação societária.
WhatsApp-Image-2025-12-18-at-11.55.04

Mensagens atribuídas à lobista Roberta Luchsinger, que é amiga de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, revelam uma suposta influência do advogado Otto Medeiros em negociações ligadas à venda de produtos de cannabis medicinal ao governo federal. Em uma das conversas, Roberta afirmou que Medeiros seria "Sócio do Cássio", em referência ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Kassio Nunes Marques. O conteúdo das mensagens foi divulgado pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Kassio Nunes Marques negou qualquer vínculo societário com Otto Medeiros, destacando em nota que sua relação com o advogado é apenas de amizade. O ministro também se declarou impedido de atuar em processos no STF que envolvam Medeiros, garantindo que não há qualquer tipo de sociedade entre eles.

As conversas fazem parte de uma investigação da Polícia Federal (PF) que analisa a atuação de Roberta e Lulinha em negócios relacionados à cannabis medicinal. De acordo com a PF, a lobista estaria tentando assegurar 20% do faturamento de uma empresa que planejava fornecer produtos derivados de cannabis a órgãos da administração pública.

Em uma troca de mensagens datada de maio de 2024, Roberta expressou preocupação com a participação de Otto Medeiros na divisão dos recursos financeiros do negócio. Ela mencionou a necessidade de definir os percentuais de sua remuneração de forma clara e sugeriu que parte desta fosse formalizada por meio de outro contrato.

A lobista também alertou: "Mas vc trate bem esse Otto. Ele é bem influente. Sócio do Cássio sabe". A PF identificou que Roberta apresentou Medeiros ao empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", para atuar no projeto. Em 15 de maio de 2024, Antunes enviou um e-mail ao escritório de Medeiros requisitando uma proposta de serviços jurídicos para a comercialização de cannabis medicinal ao governo federal.

A proposta foi enviada cinco dias após o contato, mas as negociações não avançaram e o grupo não conseguiu firmar um contrato de fornecimento com o governo. O relatório da PF indica que Roberta, próxima de Lulinha, atuou com aparente autorização para tratar de negócios em nome do filho do presidente Lula, também conhecido como Marcola, buscando auxílio na intermediação do projeto.