O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reiterou, em uma reunião de campanha realizada em São Paulo nesta quarta-feira (19), que seu filho, Fábio Luiz Lula da Silva, conhecido como Lulinha, terá que prestar esclarecimentos às autoridades competentes, especialmente à Polícia Federal (PF). Essa afirmação surge em meio a uma série de investigações que envolvem o filho do presidente, com foco em possíveis crimes de corrupção e tráfico de influência.
Lula enfatizou que Lulinha deve estar disponível para responder a todos os questionamentos formulados pela PF ou por outras entidades sempre que solicitado. Até o momento, três inquéritos foram instaurados contra Lulinha, o que demonstra a gravidade das alegações que estão sendo investigadas.
O presidente também destacou que não tem a intenção de intervir nas investigações, reafirmando seu compromisso com a legalidade e a imparcialidade do processo. Marco Aurélio de Carvalho, advogado de Lulinha e coordenador da campanha eleitoral de Lula em São Paulo, esteve presente na reunião, embora o assunto não estivesse inicialmente na pauta do encontro.
De acordo com Carvalho, a questão envolvendo Lulinha foi abordada de forma breve e sem a exploração de estratégias jurídicas ou ações específicas relacionadas aos inquéritos. "Essa não era a ideia. O presidente não fala sobre isso comigo, e eu tenho sigilo profissional e também não pretendo falar com ele sobre isso. Vou fazer a defesa do Fábio de uma forma bastante transparente, muito clara", afirmou Carvalho, ressaltando que o esclarecimento das dúvidas é do interesse do filho do presidente.
Investigações anteriores já haviam levantado suspeitas sobre a relação entre Lulinha e o empresário Cleber Ribas de Oliveira, um dos sócios da 3Structure It Ltda, que também está sob investigação por supostas irregularidades em negociações com a Dataprev e outros órgãos públicos. Além disso, Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, é outra investigada e recebeu um pagamento de R$ 150 mil do filho do presidente, conforme documentos sigilosos da PF.
Ambos os investigados estão sendo analisados pela PF em relação ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e a favorecimentos a uma empresa de canabidiol junto ao Ministério da Saúde. A primeira investigação que envolveu esses assuntos foi instaurada no Supremo Tribunal Federal (STF), o que indica a relevância e a complexidade do caso em questão.