O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, decidiu manter Guilherme Derrite como relator do PL Antifacção, mesmo após solicitações do Palácio do Planalto para sua substituição. A proposta, que retorna ao plenário com modificações aprovadas pelo Senado, deverá ser discutida pelos deputados na próxima semana para destravar as votações da Casa.
Durante a primeira tramitação na Câmara, Derrite foi alvo de críticas do governo, especialmente por apresentar seis versões distintas do projeto. Aliado do governador Tarcísio de Freitas e ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo, o relator enfrentou acusações de ter incluído dispositivos que enfraquecem a Polícia Federal e criado brechas para o crime organizado.
A base governista, incluindo o deputado Lindbergh Farias e o líder Pedro Uczai, defende a adoção da versão do Senado, considerada mais alinhada às prioridades do Executivo. Já a oposição, com o líder Cabo Gilberto Silva à frente, apoia a permanência de Derrite, argumentando que o deputado garante rigor no combate às facções sem interferências ideológicas.
A votação do PL Antifacção definirá as diretrizes para o enfrentamento às organizações criminosas no Brasil, com tensionamentos entre governo e relator em relação à versão aprovada.