A presidência municipal dos Francischini no PL e o racha em Curitiba

Francischinis assumindo a presidência do PL curitibano e o vereador Olimpio Araujo, ex-presidente do diretório local (Colagem)
Francischinis assumindo a presidência do PL curitibano e o vereador Olimpio Araujo, ex-presidente do diretório local (Colagem)

Uma das surpresas da janela partidária foi a filiação do casal Francischini ao PL. Até poucos meses atrás, eles estavam à frente da federação Solidariedade/PRD no Paraná.

O delegado da Polícia Federal, ex-deputado federal e ex-deputado estadual Fernando Francischini já chegou ao PL com o status de presidente do diretório municipal da legenda em Curitiba. Sua esposa, Flávia Francischini, que é vice-presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), seguiu o mesmo caminho e também se filiou ao partido.

A mudança ocorreu por conta da saída do empresário Neto Santos do PRD e sua filiação no Novo. Esse movimento poderia comprometer a formação da chapa de deputado federal de Francischini. Ele decidiu desembarcar no PL após uma reunião com Sergio Moro e o deputado federal Filipe Barros (PL-PR), contando com a anuência de Flávio Bolsonaro.

Nos bastidores, a articulação gerou um desdobramento direto. O vereador curitibano Olimpio Pereira de Araujo Junior, conhecido como Olimpio Araujo Junior, estava cotado — junto com seu grupo político — para continuar na presidência do PL na capital. Atualmente, ele é líder do Partido Liberal na Câmara Municipal de Curitiba e presidente da Frente Parlamentar de Segurança Pública. Olimpio também é fundador do canal “Mundo Polarizado” e foi eleito em 2024 com 7.732 votos.

Ele havia sucedido o vice-prefeito Paulo Martins na presidência do partido há sete meses. Naquele período, Paulo Martins migrou para o Novo.

Agora, na recém-fechada janela eleitoral, Olimpio perdeu espaço e foi preterido por Filipe Barros e por dirigentes internos do PL no Paraná. O motivo, segundo fontes, foram repercussões negativas decorrentes de ataques feitos pelo vereador a pessoas da direita — entre elas, a pré-candidata ao Senado Cristina Graeml (PSD).

Cristina, mesmo não pertencendo ao grupo da aliança PL/Novo, tem bom trânsito com a família Bolsonaro. No entanto, ela foi deixada de lado por Sergio Moro após ele assumir o PL. O grupo garantiu a Cristina somente que ela teria chance de candidatura a deputada federal, não ao Senado.

A família Francischini na disputa eleitoral

Fernando Francischini — recordista de votos na Assembleia Legislativa em 2018, no auge de Jair Bolsonaro, quando ultrapassou os 400 mil votos — está de volta ao processo eleitoral após ficar oito anos afastado por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), acusado de propagar desinformação contra a urna eletrônica. O ex-delegado deve concorrer novamente a deputado federal nestas eleições, mas já pensa em 2028 na corrida pela Prefeitura de Curitiba.

Flávia Francischini, vice-presidente da Alep, ganhou destaque no cargo e pretende tentar a reeleição com uma margem maior de votos. Em 2022, ela foi reeleita com 41.757 votos. Antes disso, foi vereadora de Curitiba eleita em 2020 com 4.540 votos.