A Operação Compliance Zero foi deflagrada pela Polícia Federal em 2025, a partir de uma solicitação do Ministério Público Federal, com o objetivo de investigar fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master e a empresas associadas ao banqueiro Daniel Vorcaro. Com o avanço das investigações, o escopo do caso se expandiu, incluindo suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, invasão de sistemas, vazamento de informações sigilosas e cooptação de agentes públicos.
Durante os anos de 2025 e 2026, a operação passou por nove fases, revelando um esquema que envolvia não apenas o mercado financeiro, mas também familiares de Vorcaro, executivos do setor financeiro, policiais federais e figuras importantes da política nacional. A primeira fase foi realizada em novembro de 2025, logo após o anúncio da intenção de aquisição do Banco Master pela Fictor Holding. Investigadores começaram a avaliar a emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) que ofereciam rendimentos superiores aos do mercado, direcionando suas atenções para as operações do Banco Master, sob controle de Vorcaro.
As suspeitas indicavam que uma parte significativa desses certificados não tinha garantias adequadas em relação aos valores captados. A Polícia Federal avaliou que esse modelo poderia expor clientes e instituições parceiras a um risco bilionário. A primeira fase resultou na prisão de Vorcaro e mais seis investigados, incluindo Augusto Ferreira Lima, proprietário do Banco Pleno. Também houve o afastamento do presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e do diretor financeiro Dario Oswaldo Garcia. As autoridades estimaram que o prejuízo potencial relacionado às operações investigadas poderia chegar a R$ 12 bilhões.
Com a continuidade das investigações, a Polícia Federal começou a focar na trilha do dinheiro movimentado pelo grupo. Isso levou à segunda fase da operação, em janeiro de 2026, que buscou mapear o patrimônio envolvido. As investigações revelaram um total de R$ 5,5 milhões direcionados à BN Financeira, empresa gerida por parentes de um político, considerada central no esquema de pagamentos que supostamente beneficiavam o núcleo familiar de Jaques Wagner.
Além das transações financeiras, a Polícia Federal apontou vantagens recebidas, como o uso gratuito de aeronaves custeadas por Lima e pelo Banco Master, além de ingressos para eventos no exterior. A atuação do senador em temas regulatórios de interesse do grupo Master também foi citada, destacando uma emenda parlamentar apresentada por Wagner durante a tramitação da Medida Provisória nº 1.106/2022, que limitava a cobrança de juros.
Na residência do senador, os policiais federais apreenderam US$ 49 mil (aproximadamente R$ 250 mil). A assessoria de Jaques Wagner informou que parte desse montante é proveniente de diárias oficiais pagas em espécie pelo Senado Federal para missões parlamentares no exterior, além de recursos pessoais devidamente declarados no Imposto de Renda.