CVM investiga renúncia de presidente da Vale sob influência da Previ

A Comissão de Valores Mobiliários abriu um processo para apurar a renúncia de Daniel André Stieler, presidente do conselho da Vale, a pedido do investidor Renato Sobral Pires Chaves, em meio a supostas pressões da Previ.
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A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) iniciou um processo administrativo para investigar a renúncia de Daniel André Stieler, presidente do Conselho de Administração da Vale. O pedido foi feito pelo investidor Renato Sobral Pires Chaves, que levantou questões sobre possíveis influências da Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, no desligamento de Stieler. A autarquia divulgou a informação em nota na quinta-feira, 9.

Recentemente, surgiram rumores de que a saída de Stieler foi motivada por pressões exercidas pela Previ, que é o maior acionista de referência da mineradora. Em resposta, o fundo de pensão indicou José Maurício Pereira Coelho como seu sucessor, com a eleição marcada para o dia 22 deste mês. A Previ destacou que a indicação de Coelho está alinhada com seu compromisso de promover boas práticas de governança e renovação institucional.

A Previ também ressaltou que a escolha de Coelho é baseada em sua experiência, uma vez que ele já atuou como presidente do conselho da Vale entre 2019 e 2021. O fundo afirmou que essa decisão é técnica e conta com aceitação no mercado, visando atender às demandas por maior independência e fortalecimento da governança da empresa.

A CVM, em seu comunicado, informou que a investigação busca esclarecer as circunstâncias que rodearam a renúncia de Stieler e se houve alguma ingerência na governança da Vale. O processo administrativo tramita sob sigilo, o que impede a CVM de fornecer mais informações sobre os detalhes da apuração.

A Vale, por sua vez, declarou que a saída de Daniel André Stieler foi uma decisão pessoal, formalizada por meio de uma carta apresentada à companhia em 6 de julho de 2026. Em um comunicado ao mercado, a mineradora afirmou que a renúncia ocorreu em função da pressão do maior acionista, a Previ, e que a decisão foi tomada visando o melhor interesse da empresa.

A mineradora também destacou que, dado o caráter inesperado da renúncia, medidas adicionais foram necessárias para garantir uma transição adequada. Isso incluiu a celebração de um contrato que impõe a Stieler obrigações de não competição, não solicitação, não difamação e confidencialidade por um período de 24 meses, em razão do acesso a informações confidenciais e estratégicas durante seu mandato.