Cientistas são laureados com o Nobel de Química por descobertas sobre moléculas quirais

Henri Kagan e Kenso Soai foram premiados pelo desenvolvimento de reações químicas que explicam a homoquiralidade, fenômeno crucial para a fabricação de medicamentos. As descobertas têm implicações significativas na química e na biologia.
Design-sem-nome-10

O Nobel de Química de 2023 foi concedido ao francês Henri Kagan e ao japonês Kenso Soai por suas investigações que desvendam um dos enigmas da química: a razão pela qual algumas moléculas na natureza apresentam apenas uma forma. Este avanço é considerado fundamental para a criação de novos medicamentos.

Em comunicado, o Comitê do Nobel destacou que as descobertas realizadas por Kagan e Soai foram decisivas para químicos que buscam desenvolver reações para a produção de produtos farmacêuticos. As moléculas em questão, conhecidas como quirais, podem existir em versões "direita" ou "esquerda", influenciadas por sua interação com a luz. Embora apresentem propriedades físicas semelhantes, suas características biológicas podem ser drasticamente diferentes.

A Real Academia Sueca de Ciências explicou que, dos aminoácidos, que normalmente possuem duas versões especulares, apenas uma delas é encontrada nas proteínas das células. O fenômeno de homoquiralidade, que se refere à predominância de uma dessas formas na natureza, foi abordado pelos ganhadores do prêmio, que possibilitaram a indução de reações químicas que levam à homoquiralidade.

Heiner Linke, presidente do Comitê Nobel de Química, ressaltou que Kagan e Soai ofereceram uma solução para um mistério químico que persiste há mais de um século sobre como a homoquiralidade pode surgir de forma espontânea. As reações químicas que eles desenvolveram são descritas como espetaculares, ampliando o entendimento sobre este fenômeno.

Vale lembrar que investigações relacionadas a esse tema já foram reconhecidas com o Nobel em 2001, mas Kagan, considerado o "pai" dessa técnica, não foi laureado na época, gerando protestos do Ministério da Pesquisa da França.

Henri Kagan, de 95 anos, é professor emérito na Universidade de Paris-Saclay. Kenso Soai, de 76 anos, leciona na Universidade de Ciências Naturais de Tóquio e recebeu a notícia do prêmio enquanto fazia compras em sua localidade.