Brasileiro foge de cativeiro no Paraguai após mais de três meses sequestrado, diz família

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Almir de Brum da Silva, que havia desaparecido em fevereiro enquanto trabalhava na colheita de soja, conseguiu escapar de grupo armado, caminhou por cinco dias pela mata e foi reencontrado pela família. Segundo o pai, não houve pagamento de resgate.

O brasileiro Almir de Brum da Silva, sequestrado em fevereiro deste ano pelo autodenominado Exército Popular Paraguaio (EPP), conseguiu fugir do cativeiro e foi encontrado pela família nesta quinta-feira (4), no Paraguai. A informação foi confirmada pelo pai da vítima, Valmir de Brum, que afirmou que não houve pagamento de resgate aos sequestradores.

De acordo com a família, Almir entrou em contato por telefone depois de conseguir ajuda de uma pessoa que passava pela região onde estava. Ele teria caminhado por cerca de cinco dias pela mata até conseguir pedir socorro, já a poucos quilômetros de casa. Valmir relatou que o filho conseguiu usar um celular emprestado e informar a localização aproximada em que estava, permitindo o reencontro.

O caso ganhou repercussão ainda em fevereiro, quando Almir desapareceu enquanto trabalhava na colheita de soja em uma propriedade rural no Departamento de Caaguazú, a cerca de 150 quilômetros da fronteira com o Brasil. Na ocasião, a principal suspeita das autoridades paraguaias era de sequestro praticado por integrantes do EPP, depois que panfletos atribuídos ao grupo e um bilhete manuscrito foram encontrados no local onde ele trabalhava.

Durante as buscas, a Polícia Nacional e as Forças Armadas do Paraguai atuaram na região para tentar localizar o agricultor com vida. O governo paraguaio chegou a intensificar a operação após o desaparecimento e declarou prioridade na localização de Almir. A família, por sua vez, manteve a esperança de reencontrá-lo vivo durante todo o período em que ele permaneceu desaparecido.

Segundo o pai, Almir está bem, apesar do desgaste provocado pelos meses em cativeiro. Ele teria perdido peso e apresentado abalo emocional no reencontro, mas não relatou agressões físicas, de acordo com o que a família ouviu do próprio agricultor. Valmir também disse que o filho permaneceu sob vigilância de um grupo de seis a oito pessoas em uma área de montanha.

A libertação foi celebrada pelo presidente do Paraguai, Santiago Peña, que se manifestou após a confirmação de que o brasileiro havia sido encontrado com vida. O caso encerra, ao menos por ora, uma das mais longas e tensas buscas recentes envolvendo um brasileiro em área rural paraguaia.