Argentina troca Brasil por China como principal fornecedor após medidas de Milei

Com a implementação de ajustes fiscais e redução de subsídios, a Argentina vê a China assumir a liderança nas importações, afetando diretamente o comércio com o Brasil.
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O comércio entre Brasil e Argentina, que já havia se recuperado nos últimos anos, foi impactado por mudanças significativas na política econômica do novo presidente argentino, Javier Milei. Em um movimento inédito, o Brasil perdeu a posição de principal fornecedor de produtos para a Argentina, com a China assumindo a liderança nas importações entre janeiro e junho de 2026. Essa alteração se dá em meio aos ajustes fiscais promovidos pelo governo argentino e o avanço de produtos chineses, especialmente no setor automotivo.

Dados divulgados pelo Indec, instituto oficial de estatísticas da Argentina, revelam que nos primeiros seis meses de 2026 as importações de produtos chineses alcançaram US$ 7,98 bilhões, representando 22,5% do total das compras externas do país. Em contrapartida, os produtos brasileiros, que antes ocupavam a liderança de mercado, somaram US$ 7,65 bilhões ou 21,5% das importações. A diferença de US$ 333 milhões marca o retorno da China ao topo da lista de fornecedores, posição que havia ocupado entre 2020 e 2022, antes da recuperação das vendas brasileiras.

As medidas de Milei, que incluíram a redução de subsídios em setores como energia e transporte, provocaram um aumento nos custos de vida, fazendo com que as famílias argentinas adiassem a compra de bens considerados não essenciais. Essa situação afetou diretamente as exportações brasileiras, especialmente em segmentos como o automotivo, que é essencial no comércio bilateral entre os dois países.

O setor automotivo, que representa uma porção significativa das trocas comerciais, vivenciou um retrocesso nas vendas dos veículos brasileiros. Apesar de ainda dominarem o mercado argentino, a participação dos automóveis nacionais nas importações caiu de 82% para 56% em um ano. Simultaneamente, o aumento da importação de veículos híbridos e elétricos trouxe um novo desafio para as montadoras brasileiras.

Os impactos das decisões econômicas também são visíveis nas estatísticas de produção no Brasil. De acordo com a Anfavea, apenas 15,8% da produção nacional de veículos foi destinada às exportações em 2026, um dos índices mais baixos registrados na última década. Entre janeiro e junho, as remessas de veículos brasileiros para a Argentina caíram 35,4%, totalizando 106 mil unidades.

No segmento de autopeças, a participação dos produtos brasileiros nas importações argentinas caiu de 33,9% para 28,2% nos últimos dois anos, enquanto a fatia dos produtos chineses subiu de 8,8% para 15,3%, aumentando a concorrência com itens fabricados no Brasil. Esses produtos incluem componentes de motores e câmaras de ar, que agora disputam espaço no mercado argentino.