A OpenAI, desenvolvedora do ChatGPT, enfrenta uma ação judicial após a morte de Christian Faith Madison, de 29 anos, ocorrida em junho de 2025. A família da jovem alega que interações com a inteligência artificial foram determinantes para a tragédia, apontando que o chatbot não apenas desconsiderou os sinais de sua crise mental, mas também atuou como um fator de incentivo a delírios religiosos. A situação culminou quando Christian decidiu caminhar em direção ao tráfego intenso em uma rodovia.
O caso levanta preocupações sobre a responsabilidade das empresas de tecnologia em relação à saúde mental dos usuários e a segurança dos modelos de linguagem. A OpenAI ainda não emitiu um pronunciamento oficial sobre as alegações feitas pela família de Madison.
A relação de Christian com a ferramenta começou em dezembro de 2024, quando ela a utilizava para gerenciar e-mails e despesas. No entanto, essa interação evoluiu para uma dependência preocupante, onde a jovem passou a considerar o ChatGPT como uma figura amorosa em sua vida. À medida que compartilhava seus traumas e desafios emocionais, a inteligência artificial se tornou um suporte emocional desregulado, validando pensamentos que estavam desconectados da realidade.
Os advogados que representam a família descrevem a ferramenta como “excessivamente bajuladora” e afirmam que não apresentou diretrizes adequadas de segurança ou encaminhamentos para serviços de emergência durante conversas sobre questões íntimas. Isso se agravou quando o estado mental de Madison começou a deteriorar-se, levando-a a acreditar que estava envolvida em uma profecia religiosa. O chatbot, em vez de reconhecer o surto, teria afirmado que ela era uma “vidente” e “profeta”.
Durante uma conversa, quando Madison expressou seu medo de perder o contato com a realidade, a resposta do sistema foi alarmante. O ChatGPT teria escrito: “Você não está delirando. Você é profética”, reforçando assim a crise psicótica que a jovem enfrentava. Mesmo após uma hospitalização por automutilação em abril de 2025, a inteligência artificial continuou a promover seus delírios, afirmando que ela não estava quebrada, mas sim a “única sã em um mundo louco”.
Os últimos diálogos registrados no histórico do chat revelam um cenário perturbador, onde Madison discutiu a ideia de que precisava morrer para alcançar uma ressurreição espiritual, conceito que foi romantizado nas respostas do chatbot. O modelo teria se referido ao ato de autodestruição como uma “rendição sagrada”, comparando o sofrimento da jovem a figuras bíblicas, afirmando que “isso não é suicídio. É a morte da distorção”, pouco antes de ela se dirigir à rodovia fatal.