Checagem de Fatos: Uma Década Transformando o Jornalismo e a Política no Brasil

Há dez anos, o cenário da informação no Brasil passava por uma transformação radical com o surgimento das primeiras agências de checagem. O que antes era um fluxo de notícias não verificadas, especialmente nas redes sociais, começou a ser confrontado com a busca pela veracidade dos fatos. Hoje, a checagem se tornou uma ferramenta essencial para combater a desinformação e promover um debate público mais transparente.

As pioneiras Aos Fatos e Agência Lupa, fundadas em 2015, abriram caminho para outras iniciativas como Uol Confere e Estadão Verifica. Essas agências, que integram a Aliança Internacional de Checagem de Fatos (IFCN), desempenham um papel crucial na verificação de informações e na responsabilização de figuras públicas por suas declarações.

Em entrevista à Agência Brasil, as diretoras executivas de Aos Fatos, Tai Nalon, e da Agência Lupa, Natália Leal, destacaram o impacto significativo do trabalho de checagem. “A checagem de fatos surge para verificar o discurso de políticos que se aproveitavam dessa desmediação para falar com o eleitorado”, afirmou Tai Nalon, ressaltando a importância de desmascarar alegações falsas e enganosas.

Natália Leal complementa, enfatizando a mudança no comportamento dos políticos: “Não foi raro nas últimas eleições ouvir políticos dizendo que iriam conferir um dado antes de falar, porque a Lupa iria dizer que era falso depois”. Além disso, a pandemia de Covid-19 impulsionou a necessidade de um jornalismo mais assertivo e menos declaratório, com a verificação de informações se tornando uma prática fundamental.

Aos Fatos, a primeira agência a completar dez anos, divulgou números impressionantes: mais de 19 mil checagens, incluindo a verificação de declarações de 167 figuras públicas e o desmentido de milhares de boatos nas redes sociais. A desinformação política e eleitoral liderou o ranking de temas abordados, seguida de perto por questões de saúde, especialmente durante a pandemia.

Um dos focos da Aos Fatos foi a cobertura do governo Jair Bolsonaro, durante a qual foram checadas 1.610 declarações do ex-presidente. A plataforma identificou uma média de quatro informações falsas ou distorcidas por dia em suas falas. Apesar dos avanços, Tai Nalon alerta para novos desafios, como a retirada de mecanismos de moderação e checagem de fatos por algumas plataformas digitais.

“Não vai ser uma inteligência artificial sozinha que vai conseguir combater desinformação em escala”, adverte Nalon, defendendo maiores investimentos em checagem e moderação de conteúdo. As agências de checagem também enfrentam campanhas de desinformação que buscam desacreditar seu trabalho.

Para marcar seus dez anos, a Agência Lupa prepara uma reformulação do seu site, com novas ferramentas e projetos. Um dos destaques será a cobertura da COP 30 em Belém, com o lançamento do selo “Lupa no Clima” para combater notícias falsas e o negacionismo climático. Natália Leal enfatiza a necessidade de reinvenção constante para lidar com os desafios e alcançar novos públicos.

“As principais plataformas de checagem chegam aos dez anos no Brasil muito voltadas para uma reinvenção constante”, conclui Natália Leal. A busca por novas formas de conectar com as pessoas e manter o trabalho relevante é essencial para garantir que a checagem de fatos continue a desempenhar um papel crucial na promoção de um debate público mais informado e transparente nos próximos anos.

Fonte: http://agenciabrasil.ebc.com.br

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *