Brasil Bombeia Bilhões para a Rússia em Meio a Sanções e Guerra na Ucrânia

A relação comercial entre Brasil e Rússia sofreu uma reviravolta notável desde a eleição de Lula em 2023. Em poucos meses, o Brasil ascendeu ao posto de maior comprador mundial de diesel russo, injetando US$ 12,54 bilhões na economia de Moscou entre janeiro de 2023 e maio de 2024, segundo dados da Kpler e Comex Stat. Essa súbita dependência levanta questionamentos, especialmente considerando o contexto das sanções ocidentais impostas à Rússia devido à invasão da Ucrânia e a busca desesperada do país por novos mercados. A coincidência temporal é inegável: o fluxo financeiro brasileiro ocorre em um momento crucial para o Kremlin sustentar seu esforço de guerra.

Este intenso fluxo financeiro não é um evento isolado. Ele está intrinsecamente ligado à participação ativa do Brasil no BRICS, grupo no qual Lula tem defendido abertamente iniciativas que desafiam a ordem econômica global, incluindo a substituição do dólar nas transações entre os membros. A compra em larga escala de diesel russo, potencialmente facilitada por mecanismos financeiros alternativos que contornam o sistema Swift (alvo de sanções), sugere uma concretização prática desse alinhamento estratégico e econômico. Adicionalmente, a postura ambígua do governo Lula em relação à invasão russa, evitando uma condenação clara e recusando-se a fornecer armas à Ucrânia, tem gerado desconforto entre as democracias ocidentais.

Essa estratégia, no entanto, tem um preço no cenário internacional. Ao estreitar laços energéticos e políticos com a Rússia e ao minar os esforços de isolamento econômico, o Brasil arrisca sua credibilidade perante as principais democracias do mundo. Essa postura gera desconfiança e pode comprometer décadas de construção de uma reputação de defensor da ordem internacional, como aponta Márcio Coimbra, CEO da Casa Política. “O combustível russo pode baratear temporariamente o preço na bomba, mas o custo para a posição internacional e o futuro econômico do Brasil pode se revelar exorbitante”.

O impacto imediato desse desgaste se manifesta no já fragilizado Acordo Mercosul-União Europeia. Países europeus, notadamente França e Áustria, expressam preocupação com o aumento das relações comerciais e o alinhamento político do Brasil com a Rússia. A ratificação do acordo, já complexa, enfrenta ainda mais obstáculos políticos diante da percepção de que o Brasil estaria financiando indiretamente a guerra através da compra de energia russa. A situação exige uma análise cuidadosa das implicações geopolíticas e econômicas para o futuro do Brasil.

Em suma, o aumento expressivo das importações brasileiras de diesel russo sob o governo Lula transcende uma simples transação comercial. É um movimento geopolítico com implicações profundas. Ao direcionar bilhões para a economia de um país acusado de violar o direito internacional, ao alinhar-se com uma agenda que desafia a ordem estabelecida, e ao minar sua própria credibilidade junto a democracias aliadas, o Brasil não apenas contribui indiretamente para o conflito na Ucrânia, mas também coloca em risco suas relações estratégicas mais importantes. O futuro dirá se essa aposta trará benefícios ou se o custo para a posição internacional do Brasil será alto demais.

Fonte: http://revistaoeste.com

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