A candidatura de Rui Costa Pimenta, do Partido da Causa Operária (PCO), à Presidência da República pode trazer uma nova configuração ao papel da primeira-dama. Anaí Caproni Pinto, com 59 anos, é uma militante sindicalista e advogada, distante dos padrões tradicionais frequentemente associados a essa posição. Ela é parte integrante da estrutura do próprio partido do marido, Rui Costa Pimenta, e tem uma trajetória marcada por sua atuação política e social.
Anaí nasceu em 12 de dezembro de 1966 em São Bernardo do Campo, um dos centros industriais do ABC paulista. Desde cedo, ela foi imersa no ambiente de lutas operárias, influenciada por seu pai, Manoel Caproni, um dos fundadores do PT na região. Sua militância começou em 1983, quando se envolveu no movimento estudantil da União Municipal dos Estudantes Secundaristas de São Bernardo, alinhando-se à tendência Causa Operária, que mais tarde se tornaria parte do PCO.
Após a expulsão da Causa Operária do PT no início dos anos 1990, Anaí se juntou ao grupo que fundou o PCO, partido que foi oficialmente registrado em 1996. Desde então, ela ocupa posições de destaque na direção nacional e no Comitê Central da legenda. O casamento com Rui Costa Pimenta, que ocorreu na década de 1990, consolidou uma parceria de militância política. Juntos, tiveram dois filhos, João Jorge Caproni Costa Pimenta e Carlos Henrique Caproni Costa Pimenta, ambos envolvidos nas atividades do partido. A filha do primeiro casamento de Rui, Natália Braga Costa Pimenta, também atua como dirigente do PCO, formando uma família profundamente enraizada na política.
A formação de Anaí é diversa, abrangendo desde a atuação nas fábricas até a esfera jurídica. Ela começou sua carreira como técnica em eletrônica nas indústrias metalúrgicas do ABC e também trabalhou como servidora no Judiciário de São Paulo. Em sua trajetória nos Correios, destacou-se como operadora de triagem e transbordo, onde se envolveu ativamente na construção de uma carreira sindical. Anaí foi diretora da Federação Nacional dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Fentect) e participou da corrente de oposição “Ecetistas em Luta”, além de ter se apresentado como candidata em 2012.
Como uma potencial primeira-dama, Anaí Caproni poderia representar um perfil inovador, distante das convenções sociais. Em vez de apenas uma figura simbólica, ela se posiciona como uma dirigente partidária que vive a militância diariamente. No PCO, a família Pimenta-Caproni é vista como um núcleo de liderança, defendendo uma continuidade de uma tradição revolucionária. Em um eventual governo Pimenta, Anaí não seria apenas uma representação do cargo, mas uma figura ativa na promoção de políticas que visam a defesa dos trabalhadores e a ruptura com o capitalismo.
Caso Anaí chegue ao Palácio da Alvorada, levará consigo a história de uma mulher nascida no coração do ABC metalúrgico, com uma trajetória que abrange desde os Correios até os tribunais. Assim, sua presença como primeira-dama seria no sentido literal da palavra: uma primeira-dama operária.