Estudo revela marcador que pode indicar risco de recorrência do câncer de endométrio

Pesquisa do INCA aponta que alterações na proteína p53 estão ligadas a recidivas do câncer de endométrio, reforçando a importância da conscientização sobre a doença.
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Uma análise realizada ao longo de 15 anos pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) revelou que todas as recidivas do câncer de endométrio ocorreram em pacientes com alteração na proteína p53. Por outro lado, nenhuma paciente com o perfil normal dessa proteína apresentou retorno da doença em um período de cinco anos. Esses dados ressaltam a importância de um acompanhamento mais rigoroso para as pacientes com essa alteração.

O câncer de endométrio, que é o tipo mais comum de câncer uterino, ainda é uma condição pouco discutida entre a população. Muitas mulheres desconhecem os sinais de alerta, como o sangramento uterino anormal, especialmente após a menopausa, o que pode levar a um diagnóstico tardio da doença. A falta de informação é um dos principais obstáculos no enfrentamento dessa enfermidade, que afeta milhares de mulheres anualmente no Brasil.

Em um esforço para aumentar a conscientização sobre os tumores ginecológicos, o INCA divulgou um artigo publicado no periódico internacional Pathology and Oncology Research, destacando a relevância do câncer de endométrio. Estima-se que entre 2026 e 2028 haja cerca de 9.650 novos casos da doença por ano no Brasil, com uma incidência maior em mulheres após a menopausa.

O estudo retrospectivo analisou prontuários e amostras tumorais de pacientes tratadas entre 2010 e 2025. Os pesquisadores identificaram que 78% das recidivas estavam associadas a alterações na proteína p53, enquanto apenas 23% das pacientes sem essa alteração apresentaram retorno da doença. Essa descoberta enfatiza a necessidade de estratégias de acompanhamento diferenciadas para as mulheres com maior risco de recorrência.

O trabalho foi realizado pela Divisão de Pesquisa Clínica e Desenvolvimento Tecnológico do INCA, com o apoio do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Genômica do Câncer e Medicina de Precisão para o SUS. A oncologista Andreia Cristina de Melo, chefe da Divisão de Pesquisa Clínica, e o oncologista clínico Eduardo Paulino, ambos do INCA, foram os responsáveis pela pesquisa. É importante ressaltar que Eduardo Paulino não possui vínculos financeiros que possam influenciar os resultados do estudo.

Esses achados têm o potencial de contribuir para uma seleção mais precisa de pacientes que necessitam de acompanhamento especial, o que pode otimizar o uso dos recursos públicos na saúde. A conscientização sobre o câncer de endométrio é essencial para que mais mulheres reconheçam os sinais da doença e busquem tratamento adequado, evitando assim diagnósticos tardios e aumentando as chances de sucesso no tratamento.