O Brasil pode ser o país mais atingido pelo fenômeno conhecido como "Super El Niño" na América Latina, conforme uma nova projeção do Laboratório de Impacto Climático. Divulgada em 23 de outubro, a análise prevê que o calor extremo resultará em aproximadamente 13,3 mil mortes no país até fevereiro de 2027.
As regiões Norte e Nordeste do Brasil são identificadas como as mais suscetíveis aos efeitos devastadores do fenômeno. Entre os estados, o Pará é o mais afetado, com uma previsão de cerca de 2,3 mil mortes. O Maranhão segue na lista com 1,3 mil e, em seguida, Amazonas e Bahia, ambos com estimativas de 1,2 mil mortes.
O estudo alerta que o período mais crítico está por vir, especialmente durante o verão, que ocorrerá entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027. Este é o intervalo em que os efeitos do Super El Niño devem ser mais intensos, elevando as temperaturas e, consequentemente, o risco à saúde da população.
O Brasil se destaca nas projeções para as Américas, figurando entre os cinco países com o maior número de mortes adicionais em decorrência do calor associado ao fenômeno. A estimativa brasileira ultrapassa significativamente as de outros países da região, como Os Estados Unidos, que devem enfrentar cerca de 3,5 mil mortes adicionais, enquanto a Venezuela e a Colômbia estão projetadas com 2,3 mil e 2,2 mil, respectivamente.
No cenário global, o Brasil ocupa uma posição preocupante, com países como Índia, Sudão, Indonésia e Nigéria apresentando previsões de mortalidade ainda mais altas. O fenômeno El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, o que altera padrões de temperatura e precipitação em diversas partes do mundo.
Os pesquisadores projetam que os dias de calor extremo No Brasil podem quase dobrar até fevereiro de 2027, com temperaturas atingindo pelo menos 1,2°C acima da média dos anos anteriores. Este aumento acentuado das temperaturas representa um risco elevado para a saúde, especialmente para os grupos mais vulneráveis. Além disso, pode sobrecarregar os sistemas de saúde, já que os efeitos do calor extremo tendem a ser mais sentidos durante o verão, quando as temperaturas são naturalmente mais altas.