Na última terça-feira (22), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou a ata de sua reunião mais recente, na qual a Taxa Selic foi reduzida de 14% para 13,75%. O documento indica que novas baixas na taxa de juros estão em consideração, porém, o Copom alerta sobre a inflação que continua "pressionada".
O Copom enfatiza a necessidade de "manter uma restrição monetária maior e por mais tempo do que seria apropriado em outras condições". Isso se deve aos riscos elevados que ainda cercam a inflação, notadamente a persistência da inflação em serviços, a desvalorização do câmbio e estímulos à demanda que podem impulsionar a atividade econômica além do seu potencial.
Além disso, fatores externos como os conflitos no Oriente Médio e seus efeitos na economia global, especialmente nos Estados Unidos e na Europa, também foram destacados como riscos. O comunicado do Copom menciona que a entidade continuará a monitorar a evolução do cenário econômico, ajustando a intensidade do ciclo de calibração dos juros para garantir a restrição necessária para que a inflação converja para a meta.
Recentemente, a inflação voltou a atingir o teto da meta estabelecida pelo Governo Federal, após um período de deflação significativa. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) registrou uma deflação de -0,4% em agosto, voltando a ficar dentro do teto da meta pela primeira vez desde abril deste ano.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, no acumulado do ano, a inflação está em 3,09% e nos últimos 12 meses, em 4,24%. A meta de inflação do Governo Federal é de 3%, com uma margem de erro de 1,5% para mais ou para menos. Assim, nos últimos 12 meses, a inflação ficou 0,26% abaixo do indicador previsto.
Dessa forma, o cenário inflacionário continua a ser um ponto central para as decisões do Copom, que se compromete a agir com cautela em um ambiente econômico ainda instável.