Conflito entre médicos e polícia marca protesto em Ciudad del Este

Um protesto de médicos em Ciudad del Este resultou em confronto com a polícia, que utilizou balas de borracha e gás lacrimogêneo para conter a manifestação. A mobilização, que bloqueou acessos à Ponte da Amizade, encerrou uma greve nacional de cinco dias.
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Na tarde de 28 de agosto de 2026, um protesto de médicos em Ciudad del Este, próximo à Ponte da Amizade, culminou em um confronto com a polícia. Agentes paraguaios utilizaram balas de borracha e gás lacrimogêneo para impedir que os manifestantes avançassem em direção ao acesso da fronteira com Foz do Iguaçu.

A mobilização resultou em um bloqueio temporário das principais vias de entrada e saída do Paraguai, gerando longas filas de veículos. Os médicos iniciaram sua marcha em frente ao Hospital Regional de Ciudad del Este, onde estavam acampados, e seguiram pelas rodovias PY07 e PY02, com a intenção de chegar à Ponte da Amizade.

O primeiro ponto de tensão ocorreu na rotatória Oasis, onde um cordão de policiais do Grupo Especial de Operações (GEO) tentou obstruir o avanço da manifestação. Apesar do bloqueio, os médicos conseguiram passar e continuaram seu percurso. Em uma nova tentativa de contenção, a polícia estabeleceu um bloqueio na rotatória Reloj, a última antes do acesso à ponte, onde se deram os confrontos. Os agentes lançaram gás lacrimogêneo e dispararam balas de borracha, controlando a situação após momentos de tumulto.

Durante a manifestação, os médicos queimaram um boneco inspirado na tradição paraguaia do Judas Kái, que representava o presidente Santiago Peña e a ministra da Saúde, María Teresa Barán. A mobilização marcou o fim de cinco dias de greve nacional, que começou em 24 de agosto e teve adesão de 100% nos hospitais e postos de saúde públicos do Alto Paraná.

Os profissionais de saúde afirmam que, embora a greve tenha terminado, as mobilizações continuarão. Caso o governo não ofereça uma resposta satisfatória até 31 de agosto, há o risco de renúncias em massa, com médicos de diferentes especialidades preparados para deixar o sistema público. Profissionais do Hospital Regional de Ciudad del Este, incluindo anestesiologistas, também estão considerando a entrega de cartas de demissão.

As reivindicações da categoria incluem um reajuste salarial, a efetivação de profissionais temporários, o pagamento de benefícios e melhores condições de trabalho. Os médicos também apontam a falta frequente de medicamentos e materiais, além da ausência de equipes completas nos hospitais. O salário-base dos médicos não é reajustado desde 2012, e a principal demanda é aumentar o piso salarial de 5 milhões para 8 milhões de guaranis por um vínculo de 12 horas semanais.