O governo da Espanha manifestou que poderá implementar ações contra a Itália se este país persistir, após o dia 9 de outubro, nas restrições de fronteira estabelecidas para viajantes provenientes do território espanhol. Tais medidas foram adotadas em resposta à chegada significativa de imigrantes a Ceuta, um enclave espanhol localizado no norte da África, interrompendo, assim, a livre circulação de pessoas entre as duas nações, como previsto pelo Acordo de Schengen.
Em um comunicado divulgado na última sexta-feira, as autoridades espanholas consideraram a decisão da Itália como "injusta", "discriminatória" e prejudicial aos interesses da União Europeia. O governo de Madri argumentou que nenhum dos imigrantes que entraram irregularmente em Ceuta conseguiu alcançar a Europa continental ou circular livremente pelo Espaço Schengen, o que, segundo eles, retira a justificativa para a manutenção dos controles de fronteira.
O Acordo de Schengen é um tratado que permite a livre circulação de indivíduos entre a maioria dos países da União Europeia e alguns Estados associados, sem a necessidade de controles de passaporte nas fronteiras internas. No entanto, em situações excepcionais, como crises migratórias ou ameaças à segurança, os países têm a possibilidade de restabelecer temporariamente essas fiscalizações.
A discordância entre Espanha e Itália também foi evidente durante a reunião da União Europeia sobre a crise migratória em Ceuta, realizada no dia 4 de outubro. Nesse encontro, a Itália defendeu a proposta de enviar imigrantes em situação irregular para centros de deportação em países terceiros, uma sugestão que foi rejeitada pela Espanha.
O comissário europeu para Assuntos Internos e Migração, Magnus Brunner, destacou que a reunião confirmou que nenhum dos migrantes que chegaram a Ceuta conseguiu alcançar a Europa continental. De acordo com Brunner, o aumento na chegada de pessoas foi impulsionado por organizações de tráfico humano e pela disseminação de informações falsas nas redes sociais. Ele também avaliou que a resposta da União Europeia ao episódio foi rápida e coordenada.