Lula critica revogação de visto da embaixadora pelos EUA e destaca falta de respeito

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como "irresponsável" a decisão dos EUA de revogar o visto da embaixadora Maria Luiza Viotti, ressaltando a ausência de um representante na embaixada há mais de um ano e meio.
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez declarações contundentes nesta quarta-feira (5/8) sobre a recente decisão dos Estados Unidos de revogar o visto da embaixadora Maria Luiza Viotti. Para Lula, essa atitude foi "irresponsável" e "impensada", especialmente considerando os 203 anos de história da diplomacia americana.

Em sua fala, Lula destacou a ausência de um embaixador nos EUA há mais de um ano e meio, enfatizando que o país não demonstrou a devida importância pela situação da embaixada no Brasil. "Os EUA não deram importância à embaixada no Brasil porque faz um ano e meio que Donald Trump está no poder e não mandou para cá um representante", afirmou, ressaltando que a tentativa de envio de um novo embaixador não pode ser tratada como uma obrigação imediata do Brasil.

A revogação do visto foi comunicada pelo governo dos EUA na terça-feira (4/8) e está relacionada à demora na autorização para o embaixador Daniel Perez, indicado ao cargo em 1º de junho, sem consulta prévia ao governo brasileiro. Desde a indicação, Perez aguarda uma definição sobre sua atuação.

Durante a entrevista, que foi concedida a podcasts como Meteoro Brasil e Os Três Elementos, Lula também abordou a questão da interferência externa nas eleições brasileiras. Ele afirmou que o Brasil está preparado para enfrentar qualquer tentativa de ingerência e expressou sua opinião sobre a possibilidade de o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, se envolver na campanha de adversários políticos.

"Não dá para ninguém pensar que vai se intrometer, de fora, aqui, para disputar as eleições. Se eles quiserem fazer num outro país, que façam. Aqui no Brasil, não vão fazer", declarou Lula. Ele ainda acrescentou que a presença de Rubio em uma campanha adversária poderia ser benéfica para ele, afirmando: "acho até bom".

As declarações de Lula ocorreram em um contexto de crescente tensão nas relações diplomáticas entre Brasil e EUA, especialmente em meio a um cenário eleitoral que promete ser disputado e carregado de polarizações. A postura do presidente reflete uma busca por um tratamento mais respeitoso e equilibrado nas relações internacionais, especialmente com potências como os Estados Unidos.