A seleção brasileira, sob o comando do técnico Flávio Costa, enfrentou o Uruguai em 6 de maio de 1950, no Estádio do Pacaembu, em um embate válido pela Copa Rio Branco. O Brasil saiu derrotado por 4 a 3, resultado que se tornou um prenúncio da derrota histórica que ocorreria 71 dias depois, no Maracanã, durante a Copa do Mundo. Essa partida desmistificou a ideia de que a seleção brasileira enfrentaria um adversário despreparado no jogo decisivo, já que o Uruguai contava com um time forte e bem treinado.
A escalação do Brasil para essa partida incluiu jogadores como Barbosa, Nilton Santos e Mauro, enquanto o Uruguai apresentou estrelas que mais tarde se destacariam na Copa do Mundo, como Máspoli, Matías González e Obdulio Varela. O jogo começou a todo vapor, com Zizinho abrindo o placar logo aos dois minutos. No entanto, o Uruguai reagiu rapidamente, com Miguez empatando aos 23 minutos e, em seguida, virando o jogo em um lance onde a defesa brasileira falhou ao permitir que a bola passasse por Barbosa, conforme destacou o Jornal dos Sports na época.
A equipe uruguaia não parou por aí; apenas um minuto depois, Schiaffino aproveitou o rebote da trave e ampliou a vantagem para 3 a 1. Ademir Menezes ainda conseguiu diminuir para 3 a 2 aos 29 minutos do primeiro tempo, mas a situação se complicou no segundo tempo. Aos quatro minutos, Obdulio Varela cobrou uma falta que resultou no quarto gol, novamente com Schiaffino, que se destacou pela sua habilidade em superar o goleiro brasileiro.
No entanto, Ademir ainda conseguiu marcar mais um gol, reduzindo o placar para 4 a 3 aos 19 minutos da etapa final. A imprensa da época não poupou críticas à defesa brasileira, que foi amplamente responsabilizada pela derrota. O Jornal dos Sports enfatizou que “do fracasso da defesa, veio a debacle dos nossos”, ressaltando o merecimento da vitória uruguaia.
Nos vestiários, os jogadores do Uruguai comemoraram a vitória como um grande triunfo. Essa partida serviu como um alerta para a seleção brasileira, que em 16 de julho de 1950, no Maracanã, enfrentou novamente o Uruguai em uma final e também saiu derrotada, desta vez por 2 a 1, em um jogo que se tornaria conhecido como o 'Maracanazo'. A garra e determinação do time uruguaio foram evidentes, assim como no jogo que ocorreu em São Paulo, meses antes.