Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem buscado alianças com partidos do Centrão desde que se lançou como pré-candidato à Presidência. O Progressistas (PP) e o União Brasil, que estão federados, eram considerados essenciais para sua estratégia. No entanto, nos últimos dias, líderes do PP manifestaram que não apoiariam Flávio, optando por manter uma posição neutra. Essa decisão é influenciada por um descontentamento de Ciro Nogueira com o senador, relacionado ao Caso Master, onde ele sentiu falta de apoio de Flávio, além da resistência de algumas bancadas regionais que preferem não se comprometer, podendo assim apoiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em determinadas localidades.
Nesta semana, houve um esforço significativo para que Ciro Nogueira reconsiderasse a posição do PP. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), foi um dos que tentaram intermediar uma aliança. Durante as discussões, Tarcísio propôs a ex-ministra da Agricultura, Tereza Cristina (PP), como potencial vice na chapa de Flávio. Porém, a aceitação dessa proposta por integrantes do Progressistas era vista com ceticismo.
A indicação de Tereza Cristina como vice era considerada vantajosa, uma vez que ela representa uma figura feminina com forte ligação ao agronegócio e uma postura mais moderada. Entretanto, Ciro Nogueira decidiu manter a neutralidade do PP, que foi oficialmente confirmada na sexta-feira, 31. Com isso, a proposta de Tereza Cristina como vice foi inviabilizada. O PP divulgou uma nota informando que a decisão de permanecer neutro foi tomada por maioria entre os diretórios estaduais e que não haveria convocação de Convenção Nacional. A senadora Tereza Cristina acatou a decisão do partido.
Flávio Bolsonaro reagiu à escolha do PP, afirmando que respeita a decisão e expressou sua honra pelo convite feito a Tereza Cristina para ser sua vice. Ele destacou que a nota do partido confirma a escolha pela neutralidade, mas ainda assim deixou claro que continuará buscando um entendimento. "Essa nota deixou bem claro que o partido tinha decidido, por maioria, pela neutralidade. Óbvio que eu respeito, mas eu sou brasileiro, não desisto nunca. Vamos continuar nas conversas", declarou Flávio.
A situação reflete as complexidades das articulações políticas em um momento em que as bases partidárias estão divididas e as alianças se tornam cada vez mais frágeis. A decisão do PP pode ter impactos significativos nas estratégias eleitorais de Flávio Bolsonaro e na dinâmica política em 2026.