A Fifa está atualmente considerando aumentar o número de participantes da Copa do Mundo de 48 para 64 seleções. Esse debate sobre ampliação não é recente e remonta a várias décadas. Logo após o Brasil conquistar seu tricampeonato em 1970, iniciou-se uma discussão entre dirigentes sobre a possibilidade de expandir o torneio.
Na edição de 2 de julho de 1970, um dos principais jornais do Brasil publicou uma manchete afirmando que a Copa de 1974, a ser realizada na Alemanha Ocidental, contaria com 24 seleções ao invés das 16 que participavam até então. Caso essa proposta tivesse sido implementada, poderia ter antecipado mudanças que só ocorreram efetivamente em 1982, quando a Fifa era presidida pelo brasileiro João Havelange.
O presidente da Fifa na época, Sir Stanley Rous, afirmou em uma coletiva de imprensa que a nova configuração da Copa incluiria um formato mais representativo, com maior participação de seleções da África e Ásia. Rous defendia que o torneio deveria se tornar um verdadeiro campeonato mundial, ao invés de um simples evento entre Europa e América.
Durante a reunião do Comitê Executivo da Fifa, programada para setembro de 1970, foram discutidas alterações significativas nas eliminatórias. A proposta incluía a substituição do sistema atual por competições regionais, como as Copas das Nações, que definiriam quais países poderiam participar do mundial.
Stanley Rous também mencionou a força do futebol africano, citando seleções como Egito, Sudão e Gana, além de destacar a Costa do Marfim, que ele considerava ter jogadores de alto nível, comparando alguns a Eusébio da Silva Ferreira, famoso craque português.
Apesar dessas discussões iniciais, a ampliação do número de seleções só se concretizou na Copa de 1982, na Espanha. O torneio de 1974 foi o último sob a presidência de Stanley Rous, que logo seria sucedido por João Havelange, responsável por várias inovações na Fifa. A história revela que as mudanças poderiam ter sido iniciadas muito antes do que realmente ocorreram.