Estudo revela que a maioria dos motoristas de aplicativo enfrenta endividamento

Uma pesquisa do Tribunal Superior do Trabalho mostra que 92% dos motoristas de aplicativo estão endividados e 60% não contribuem para a Previdência Social. O levantamento também revela que as despesas mensais desses profissionais superam R$ 5 mil.
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Um levantamento realizado pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) indica que 92% dos motoristas de aplicativo estão em situação de endividamento. Além disso, 60% dos entrevistados não fazem contribuições para a Previdência Social. A pesquisa ainda revela que as despesas mensais desses profissionais ultrapassam, em média, R$ 5 mil.

Eliseu de Souza, que se tornou motorista de aplicativo após o fechamento de seu restaurante durante a pandemia, relata que paga R$ 2.400 mensais pelo aluguel do veículo. Ele destaca que, ao somar os gastos com combustível e outras despesas, seus custos já superam suas receitas. “No começo as corridas eram vantajosas, mas agora o combustível aumentou”, afirma. Para ele, “o que antes era uma solução hoje virou despesa”.

O estudo considera motoristas que percorrem mais de 5 mil quilômetros a cada mês e aponta que a maioria deles trabalha mais de 44 horas por semana. Rodrigo Trindade, juiz supervisor do Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT), afirma que a pesquisa é relevante para entender a renda real da categoria ao levar em conta os custos associados à atividade.

A associação que representa as operadoras de transporte por aplicativo contesta as conclusões do estudo, argumentando que os resultados não refletem a realidade do setor. A entidade defende que a atividade é crucial para a redução da taxa de desocupação no Brasil. Por sua vez, Eliseu, sem conhecer os detalhes da pesquisa, expressa a intenção de deixar a profissão e procurar um emprego com carteira assinada.

O resultado da pesquisa levanta questões significativas sobre as condições de trabalho dos motoristas de aplicativo, destacando a necessidade de uma discussão mais ampla sobre os desafios enfrentados por esses profissionais no mercado atual.