Desafios da exportação de carne bovina brasileira no mercado chinês

Apesar de não serem afetadas pelas tarifas dos EUA, indústrias enfrentam dificuldades na China, maior mercado de carne bovina. A ABIEC alerta para salvaguardas unilaterais e possíveis demissões no setor.
ato20241109032

A carne bovina brasileira não será impactada por tarifas impostas pelos Estados Unidos, mas enfrenta desafios significativos no mercado chinês, o principal destino das exportações. Essa análise foi apresentada pelo presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), Roberto Perosa, durante o lançamento da 11ª edição do Beef Report, em Brasília, no dia 16.

Perosa destacou que, embora o mercado americano seja o segundo maior destino da carne brasileira em 2025, não há efeitos diretos sobre as exportações. O presidente da ABIEC ressaltou que a entidade está atenta às negociações entre os governos. "O fato é que nós não recebemos a tarifa. Estamos acompanhando o desenrolar das ações para avaliar quando tiver impacto. Hoje ainda não tem", afirmou.

A maior preocupação do setor se concentra nas salvaguardas impostas pela China, que terão validade de três anos. Segundo Perosa, essa medida é unilateral, e a solução não está nas mãos da indústria. "O governo brasileiro tentou negociar durante um período, mas não está na mão da indústria brasileira uma solução. Nós temos que passar por esse período", explicou.

Os efeitos das salvaguardas já estão sendo sentidos pelos frigoríficos, que dependem da exportação para a formação de preços e margens de lucro. Para enfrentar esse cenário, cada empresa adotará sua própria estratégia, que pode incluir férias coletivas, demissões temporárias ou até fusões de grupos menores com empresas maiores. "Não há uma receita pronta. Para pacientes diferentes, não existe a mesma medicação", enfatizou Perosa.

Ele também reconheceu que a situação é motivo de preocupação generalizada, e a produção pode ser reduzida para evitar vendas a preços não rentáveis. "Em alguns momentos, a gente tem notícias de que já houve demissões em empresas", informou. Aqueles com mais capital conseguem suportar a situação por mais tempo, enquanto os menos capitalizados precisam vender a preços menores para outros mercados.

Na busca por diversificação, Perosa mencionou o Japão e a Coreia do Sul como mercados maduros que o Brasil ainda tenta acessar, mas com volumes de 15 mil a 20 mil toneladas, o que é considerado pequeno em comparação às 3,5 milhões de toneladas exportadas em 2025. "Não tem nenhum outro mercado que absorverá essa demanda. Isso vai ser dividido entre alguns mercados, mas não há uma grande solução única", concluiu.