O governo brasileiro reportou avanços nas negociações com os Estados Unidos para prevenir a imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros. A informação foi divulgada pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, na terça-feira (7).
O ministro destacou que houve uma "abertura" nas discussões em relação ao combate ao crime transnacional, um dos principais pontos de tensão entre as administrações de Lula e Trump, especialmente após a designação do Primeiro Comando da Capital e do Comando Vermelho como organizações terroristas internacionais.
Durante uma nova rodada de reuniões, foram registrados progressos nas tratativas com representantes do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). Márcio Elias Rosa comentou que foi discutido um pedido do presidente Lula acerca da cooperação integrada no combate ao crime transnacional, com um reconhecimento por parte dos EUA de que é viável avançar nesse tópico.
O ministro acredita que, ainda nesta semana, pode ocorrer uma nova reunião técnica, além de um encontro político com representantes da Administração Trump. No entanto, ele enfatizou que as discussões estarão limitadas às questões tarifárias. "A principal orientação do presidente é que não sairemos da mesa e TAMBÉM não deixaremos que outros temas sejam discutidos", afirmou.
Em relação ao setor do etanol, considerado estratégico para a economia do Nordeste, o ministro descartou a possibilidade de que as tarifas sobre o produto sejam abordadas nas conversas. O governo brasileiro entende que deve concentrar esforços em áreas onde haja potencial de progresso, excluindo a taxação do etanol, que ainda é alvo da Seção 301, mecanismo que permite ao governo americano investigar práticas comerciais vistas como desleais.
Essa investigação, no caso do Brasil, inclui aspectos relacionados ao comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, como o PIX, tarifas que os EUA consideram "injustas e preferenciais", medidas de combate à corrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e políticas contra o desmatamento ilegal.