O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, do PL, anunciou a intenção de acionar a Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT. A decisão vem após uma visita de Lula a Itajaí, onde ele fez críticas à política estadual relacionada à extinção das cotas raciais nas universidades, uma proposta que foi considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Durante seu discurso, Lula enfatizou a necessidade de combater o racismo em Santa Catarina, afirmando que o estado não é pobre e que todos devem ser tratados de forma igualitária. Ele declarou: “Não pode permitir que prevaleça em Santa Catarina o racismo. Não pode permitir, não pode permitir que aqui em Santa Catarina as pessoas sejam tomadas do senso de grandeza, porque esse estado é muito rico, não é pobre.”
O presidente também se referiu ao que chamou de “hegemonia branca” na região, fazendo uma menção ao líder nazista Adolf Hitler. Lula afirmou que não existe superioridade entre as raças e criticou a ideia de que moradores de diferentes regiões do BRASIL são hierarquicamente distintos. “A gente não pode permitir essa ideia da hegemonia branca sobre o restante do país. Na verdade, isso não é hegemonia branca, é hegemonia da ignorância”, completou.
Jorginho Mello interpretou as declarações de Lula como uma insinuação de que os catarinenses são racistas. O governador considerou que as falas do presidente extrapolaram os limites do debate político e ofenderam diretamente a honra do povo de Santa Catarina. Ele afirmou: “Uma coisa é o presidente me criticar ou vir a Santa Catarina dizer coisas que não condizem com a realidade. Isso faz parte do debate político e nós respondemos com fatos. Outra coisa, muito diferente, é chamar o povo catarinense de racista. Isso é criminoso, preconceituoso e ele precisa responder por isso.”
A representação formal deverá ser apresentada à PGR na próxima segunda-feira, dia 29. Até o momento, a Secretaria de Comunicação do Planalto não se manifestou sobre o caso.