Donald Trump assumiu a presidência prometendo encerrar conflitos, mas poucos meses após o início das tensões entre Estados Unidos e Irã, sua administração se depara com um desafio histórico: a construção de uma paz duradoura é mais difícil do que vencer uma batalha. As recentes negociações na Suíça entre representantes dos dois países evidenciam essa realidade.
O vice-presidente JD Vance, ao sair dos encontros, destacou que as conversas estabeleceram uma "base sólida" para um acordo definitivo. Apesar do otimismo, ele reconheceu que ainda há um longo caminho a percorrer antes de se chegar a um entendimento final. A metáfora utilizada por Vance, comparando o acordo a uma casa cuja fundação foi construída, reflete a fragilidade da situação.
A primeira grande questão a ser enfrentada é a segurança do Estreito de Hormuz, uma área crítica para o transporte de petróleo a nível global. Um acordo anterior entre Washington e Teerã previa a reabertura dessa rota e a normalização do comércio, mas novos questionamentos sobre a situação atual da passagem indicam que esta continua a ser uma ferramenta de pressão para o regime iraniano.
Outra dificuldade se relaciona ao Líbano, onde a situação entre Israel e Hezbollah representa uma ameaça constante à estabilidade da negociação. Embora os diálogos tenham criado canais de comunicação para reduzir tensões, a realidade no Oriente Médio continua a produzir crises que podem comprometer os avanços nas negociações entre os Estados Unidos e o Irã.
Adicionalmente, a política interna dos Estados Unidos também afeta as negociações. Durante sua campanha, Trump criticou severamente o acordo nuclear firmado por Barack Obama em 2015, chamando-o de um desastre. Agora, o presidente enfrenta o desafio de provar sua capacidade de impor condições mais rigorosas ao Irã, ao mesmo tempo em que busca um acordo mais favorável que os de seus antecessores.
O sucesso das atuais negociações não será avaliado apenas por discursos ou declarações, mas por três questões cruciais: o Irã aceitará inspeções efetivas de seu programa nuclear? O Estreito de Hormuz permanecerá aberto? E a dinâmica de conflito entre Israel e Hezbollah deixará de ser uma ameaça à região? Se as respostas forem positivas, Trump poderá reivindicar um feito que escapou a seus antecessores. Contudo, se qualquer um desses elementos falhar, o acordo poderá seguir o caminho de muitos outros no Oriente Médio: repleto de expectativas, mas sem estabilidade. Fazer a guerra pode levar semanas, enquanto fazer a paz pode demandar anos.