Deputados das legendas PSOL e Rede protocolaram um pedido à Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitando a investigação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por um suposto atentado à soberania nacional. A representação alega que a atuação do parlamentar em favor da designação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas junto ao governo dos Estados Unidos representa uma afronta à autonomia do Brasil.
Na nota divulgada pelo coordenador geral da pré-campanha de Flávio, senador Rogério Marinho, foi afirmado que a busca por apoio internacional para combater as facções criminosas é uma ação legítima. Marinho declarou: “Se o crime que nos acusam é o de buscar apoio de nações amigas para asfixiar as finanças das facções e unir forças para proteger a população do terror e da violência, assumimos essa culpa com convicção.”
Os parlamentares que assinam a representação sustentam que Flávio e outros membros da família Bolsonaro têm incentivado a interferência do governo dos Estados Unidos em questões internas do Brasil. Tal conduta, segundo os deputados, compromete a soberania nacional. A visita de Flávio ao presidente Donald Trump, ocorrida na terça-feira, 26, é citada como um ponto central, onde o senador teria defendido a classificação dos grupos criminosos como organizações terroristas globais.
Um dia após a reunião com Trump, Flávio se encontrou com o secretário de Estado, Marco Rubio, onde também abordaram o mesmo tema. A designação dos grupos como terroristas foi anunciada pelo governo Trump no dia seguinte ao encontro, embora a medida já estivesse sendo considerada há meses.
Flávio Bolsonaro celebrou a decisão nas redes sociais, chamando o dia de “grande”. Para embasar suas alegações, os deputados mencionaram uma reportagem do jornal The New York Times, que indicava que a decisão do governo Trump foi influenciada por esforços intensivos dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro, aliado próximo de Trump.
A representação foi assinada por diversas deputadas federais do PSOL, incluindo Fernanda Melchionna, Sâmia Bomfim, Duda Salabert, Luiza Erundina e Heloísa Helena. Elas ressaltam que a ação contra Flávio é parte de uma estratégia da esquerda para utilizar o Judiciário em benefício de seus interesses políticos, enquanto o país enfrenta desafios relacionados ao domínio de facções criminosas. O documento critica o fato de que, enquanto clamam por soberania, os mesmos grupos políticos anteriormente buscavam apoio internacional para intervenções em assuntos brasileiros por razões ideológicas.