Moradores que vivem na fronteira seca entre Bernardo de Irigoyen, na Argentina, e Dionísio Cerqueira, em Santa Catarina, estão manifestando preocupações em relação à instalação de muros de pedras de grande porte, que visam restringir a circulação de veículos em pontos informais de travessia. A Polícia Federal (PF) tomou essa medida na tentativa de combater o contrabando, o descaminho e o roubo de carros, que são práticas recorrentes na região.
A iniciativa de bloquear esses acessos informais foi criticada por alguns moradores e autoridades locais. Celestino Raúl Medina, chefe da Polícia de Misiones, admitiu que tentativas anteriores de impedir a passagem por locais não autorizados não tiveram sucesso duradouro. "Já foram implementados diversos sistemas para barrar a passagem por lugares não autorizados, mas isso não funcionou. Com o tempo, os acessos ficam abertos novamente", afirmou Medina.
Bianca Moreira Maran Bertamoni, prefeita de Dionísio Cerqueira, também se manifestou sobre o assunto. Ela ressaltou que o problema da passagem irregular de veículos é antigo e que, embora as pedras tenham sido colocadas para evitar a travessia, essa solução tem gerado questionamentos entre os moradores. "Há pedras para impedir a passagem de veículos fora da aduana, mas isso gera um aspecto que a população questiona", comentou a prefeita.
A prefeita anunciou que há um projeto em andamento para substituir as pedras por estruturas mais eficazes, como barreiras de concreto, além de melhorias nas calçadas e espaços públicos da região. Essa mudança visa proporcionar uma solução mais organizada para a questão da travessia na fronteira.
Entretanto, Sergio Amaral, um dos moradores locais, destacou os riscos associados à instalação das pedras. Ele mencionou que, em dias de chuva, o acúmulo de barro pode tornar a passagem perigosa, afirmando que "fica perigoso, alguém pode cair". Essa preocupação com a segurança é compartilhada por outros moradores da área.
A maioria das pessoas ouvidas expressou a opinião de que a medida é ineficaz. Marcos Müller, residente de Barracão, criticou a iniciativa, afirmando que "estraga a vista da fronteira e não serve para nada, as pessoas passam igual". Essa insatisfação reflete um sentimento geral de que as soluções atuais não estão atendendo às necessidades da comunidade.