Foz do Iguaçu se destacou na rota de uma das aeronaves mais icônicas da aviação mundial, o Concorde. O Museu da Imprensa resgatou uma reportagem que recorda o período em que essa aeronave supersônica, símbolo de luxo e tecnologia, realizava pousos regulares na cidade. Conforme um texto veiculado em 1997 pelo jornal Ponte da Amizade, o Concorde aterrissou na Terra das Cataratas em três ocasiões durante um ano, atraindo atenção pela velocidade e exclusividade da aeronave franco-britânica, que se tornou um ícone da aviação internacional.
A publicação destaca que apenas 15 unidades do Concorde foram produzidas, e a aeronave era capaz de atingir aproximadamente 2.400 quilômetros por hora, reduzindo consideravelmente o tempo de viagem entre os continentes. Essa velocidade impressionante não apenas transformava a experiência de voar, mas também trazia para Foz do Iguaçu turistas de alto poder aquisitivo, principalmente franceses e japoneses, que incluíam as Cataratas do Iguaçu em seus roteiros internacionais.
O texto menciona que a presença do Concorde em Foz do Iguaçu era um privilégio, visto que a aeronave operava principalmente entre Europa e Estados Unidos. Os visitantes que desembarcavam na cidade aproveitavam para conhecer as belezas naturais e a gastronomia local. O empresário do setor de turismo, Júlio César Rodrigues, afirmou que a presença do Concorde elevava a visibilidade internacional de Foz do Iguaçu, destacando o potencial turístico da região.
Durante o tempo em que a aeronave estava estacionada no aeroporto, os passageiros exploravam os principais pontos turísticos da área trinacional. Naquela época, a operação do Concorde era considerada incomum mesmo em grandes aeroportos ao redor do mundo, transformando cada pouso em um evento que despertava curiosidade entre os moradores locais.
Anos depois, a lembrança desse período ainda é um registro marcante do tempo em que Foz do Iguaçu figurava na rota de uma das aeronaves mais sofisticadas já criadas pela indústria da aviação. Esse capítulo da história aeronáutica permanece vivo nas memórias de quem viveu essa experiência, assim como nas páginas do acervo digital do Museu da Imprensa, que reúne documentos significativos sobre a trajetória do município e suas interações com as Três Fronteiras — Argentina, Brasil e Paraguai.
A coleção inicial do acervo conta com quase 20 mil páginas, abrangendo um período histórico de seis décadas, a partir de 1953. O projeto é fruto de um esforço coletivo voltado para a preservação e valorização desse patrimônio histórico, com a colaboração da Associação Guatá e apoio da Itaipu Binacional.