A ministra da Igualdade Racial e irmã de Marielle Franco, Anielle Franco, declarou antes do início do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) que nenhuma sentença poderá reverter a dor resultante dos assassinatos da vereadora e do motorista Anderson Gomes, ocorridos em 2018. Ela ressaltou que o papel do Judiciário é investigar e punir os envolvidos, embora reconheça que o caso traz consequências irreparáveis emocionalmente.
A Primeira Turma do STF julgará a partir desta terça-feira (24) os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão, além do delegado Rivaldo Barbosa, do ex-policial militar Ronald Paulo de Alves e do ex-assessor Robson Calixto Fonseca. O julgamento, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, deve estender-se até a manhã de quarta-feira (25), com duas sessões agendadas para hoje, às 9h e 14h.
Anielle Franco destacou que o desfecho do processo foi possível graças a mudanças políticas institucionais no país a partir de 2022. Também criticou a normalização da violência contra parlamentares, defendendo medidas estruturais em segurança pública para evitar casos como o de Marielle no Rio de Janeiro.
O caso está no STF por conta da prerrogativa de foro de Chiquinho Brazão, ex-deputado federal, que era réu na época dos crimes. A denúncia foi aceita pelo tribunal em junho de 2024, com base em provas do acordo de delação premiada do ex-policial militar Ronnie Lessa, confessante dos disparos.