A proposta do governo federal para controlar os preços abusivos de hospedagem durante a COP30, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, em Belém, enfrenta sérias dificuldades. A iniciativa, que previa penalidades severas para hotéis que inflacionassem os preços, não avançou, gerando preocupação e críticas sobre a viabilidade do evento.
O plano, que circulava nos bastidores desde abril, visava a criação de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o setor hoteleiro. No entanto, a resistência das empresas, que consideraram as exigências desproporcionais, impediu a formalização do acordo. A proposta incluía multas que poderiam atingir 100% do faturamento bruto anual das empresas reincidentes.
A situação tem gerado debates acalorados, com alguns países cogitando até mesmo a mudança da sede da conferência devido aos altos custos de hospedagem. O presidente da COP30, André Corrêa do Lago, expressou sua preocupação, afirmando que seria “muito triste ter uma conferência menor por causa do preço do hotel”, reconhecendo a necessidade de reduzir os valores.
A falta de leitos suficientes em Belém para acomodar as cerca de 60 mil pessoas esperadas para a COP30 agrava ainda mais a situação. A proposta de TAC previa, inclusive, a corresponsabilidade de plataformas digitais como Booking e Airbnb na moderação dos preços, com a exclusão de anúncios com valores considerados excessivos.
Enquanto o setor hoteleiro alega inconstitucionalidade e interferência indevida na livre definição de preços, a organização da COP30 enfrenta críticas severas. Juan Carlos Monterrey Gómez, vice-presidente do Bureau da COP, classificou a organização do evento como um “insulto”, criticando os preços altos e a falta de respeito por parte do governo brasileiro. A novela dos preços da COP30 continua, colocando em xeque o sucesso da conferência.
Fonte: http://www.poder360.com.br