BYD Acelera Exportações de Carros Elétricos da Tailândia para a Europa em Meio a Excesso de Produção

A gigante chinesa de veículos elétricos BYD iniciou a exportação de carros produzidos em sua nova fábrica na Tailândia com destino à Europa. A medida surge em um contexto de excesso de capacidade produtiva no mercado tailandês, impulsionado por incentivos governamentais e investimentos maciços no setor de veículos elétricos.

O primeiro embarque, realizado na segunda-feira (25 de agosto de 2025), consistiu em mais de 900 unidades do modelo hatchback Dolphin, fabricado pela BYD Auto (Thailand) Co. Ltd. Os veículos foram enviados para Alemanha, Bélgica e Holanda, marcando o início das operações de exportação da planta tailandesa.

Inaugurada em julho de 2024, a fábrica tailandesa da BYD representa a primeira base de produção de carros de passeio da empresa fora da China, com uma capacidade anual planejada de 150 mil veículos. No entanto, a planta opera atualmente abaixo de sua capacidade máxima, segundo um funcionário da BYD Tailândia, que vê as exportações como uma forma de otimizar a produção.

A decisão da BYD de expandir sua produção na Tailândia e exportar para a Europa reflete uma tendência maior entre as montadoras chinesas. Empresas como SAIC Motor, Great Wall Motor, Guangzhou Automobile Group e Chongqing Changan Automobile também se estabeleceram no país asiático para aproveitar os programas de subsídios oferecidos pelo governo tailandês.

Diante desse cenário, as autoridades tailandesas estão incentivando ativamente as montadoras a utilizarem o país como base exportadora. Recentemente, o Comitê Nacional de Política de Veículos Elétricos da Tailândia aprovou ajustes nas políticas EV3.0 e EV3.5, que agora contabilizam cada veículo elétrico exportado como 1,5 veículo no cumprimento das metas de produção local. A Federação das Indústrias Tailandesas estima que essa mudança impulsione as exportações de EVs para cerca de 12,5 mil unidades em 2025 e 52 mil em 2026.

Entretanto, as exportações da BYD para a Europa ocorrem em um momento em que a União Europeia aumenta as barreiras comerciais para veículos elétricos chineses. Desde o final de outubro de 2024, a UE impõe tarifas antissubsídio de 7,8% a 35,3% sobre carros elétricos a bateria da China, além de uma tarifa de importação de 10%. A BYD enfrenta uma alíquota combinada de 27%.

Ainda não está claro se os carros da BYD fabricados na Tailândia se qualificarão para taxas menores na UE, dependendo do conteúdo local. Mesmo com tarifas similares às aplicadas às exportações chinesas, a BYD precisa exportar de sua planta tailandesa para aliviar a pressão de produzir e vender apenas dentro da Tailândia.

O não cumprimento das metas de produção local pode acarretar severas consequências para as montadoras. Segundo a política tailandesa, empresas que não atingirem os objetivos precisam devolver todos os subsídios recebidos, com juros, além de reembolsar as reduções de impostos ao consumidor nos veículos já vendidos.

Fonte: http://www.poder360.com.br

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