Operação contra o PCC: Carretas de empresas investigadas por lavagem de dinheiro são abandonadas na Bahia

Carretas carregadas de combustível, pertencentes às empresas G8LOG e Moska Log, foram encontradas abandonadas em um posto de combustíveis em Camaçari, Bahia, na última sexta-feira. O caso surge em meio à megaoperação deflagrada contra o crime organizado, que tem as duas companhias como um dos seus principais alvos. As autoridades suspeitam que as empresas funcionavam como fachada para atividades ilícitas.

As investigações apontam que a G8LOG Agro Ltda e a Moska Log estariam ligadas a Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo”, e Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”. Ambos são considerados foragidos da justiça. O Ministério Público identificou Mohamad como o “epicentro” do esquema do PCC no setor de combustíveis, utilizando uma rede de empresas para fraudes fiscais e lavagem de bilhões.

Segundo o MP, o grupo criminoso operava em toda a cadeia de combustíveis, desde usinas até postos, para ocultar o dinheiro ilícito. Nas redes sociais, Mohamad se apresentava como CEO da G8LOG e consultor da Copape, declarando acreditar no “trabalho, disciplina e comprometimento” para alcançar resultados. A ironia da situação não passou despercebida pelos investigadores.

A G8LOG Agro, criada em 2024, atuava no transporte de cana e etanol para usinas do Grupo Itajobi, mas as investigações indicam que sua principal função era ocultar patrimônio. A frota da empresa estava registrada em nome da Blue Star, outra empresa de fachada. A Moska Log operava de forma integrada à G8LOG, compartilhando logomarca, telefone e frota, o que reforça a estratégia de criar camadas societárias para a lavagem de dinheiro. Imóveis e veículos ligados à G8LOG foram apreendidos.

A operação “Carbono Oculto”, que resultou na descoberta das carretas abandonadas, mobilizou 1,4 mil agentes em oito estados: São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Rio de Janeiro e Santa Catarina. Estima-se que o grupo tenha sonegado R$ 7,6 bilhões em impostos, utilizando empresas em todas as etapas da produção e distribuição de combustíveis, incluindo a importação irregular de químicos e a adulteração em postos. A Receita Federal identificou 40 fundos de investimento controlados pelo grupo, com um patrimônio de R$ 30 bilhões, utilizados para financiar diversas empresas do setor.

Fonte: http://revistaoeste.com

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