O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), agendou para esta quarta-feira, às 11h30, uma acareação entre o tenente-coronel Mauro Cid e o coronel Marcelo Câmara. O encontro busca esclarecer pontos divergentes nos depoimentos dos dois militares, ambos réus em processos que apuram uma possível tentativa de golpe de Estado. A sessão ocorrerá na sede do STF, em Brasília, aumentando a expectativa em torno do confronto de versões.
Cid, que firmou acordo de delação premiada e atuou como ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, figura no núcleo 1 da ação. Já Câmara, ex-assessor presidencial, encontra-se em prisão preventiva e integra o núcleo 2 das investigações. A presença de Câmara, utilizando tornozeleira eletrônica, adiciona um elemento de tensão ao evento.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) sustenta que Câmara teria coordenado ações de monitoramento e neutralização de autoridades, incluindo o próprio ministro Moraes. Segundo os investigadores, ele repassava informações sobre os deslocamentos e compromissos do magistrado a Mauro Cid, intensificando as suspeitas sobre seu envolvimento no suposto plano golpista.
A defesa de Câmara solicitou a acareação, alegando inconsistências nos relatos de Cid. Segundo os advogados, Cid teria afirmado que Câmara monitorou tanto o ministro do STF quanto a chapa de Luiz Inácio Lula da Silva, o que a defesa considera insustentável. O advogado Eduardo Kuntz, defensor de Câmara, declarou que o encontro servirá para “desmistificar as interpretações erradas feitas pela PGR nas declarações do delator”.
Câmara nega veementemente as acusações de monitoramento de Lula, Moraes e Alckmin. De acordo com ele, não houve participação em atividades de vigilância, desconhecimento do objetivo das informações recebidas e ausência de contato com qualquer minuta de golpe. O desfecho da acareação poderá ser crucial para o andamento das investigações e para definir o futuro dos envolvidos.
Fonte: http://revistaoeste.com