A situação na Venezuela se agravou com a imposição de restrições ao acesso à zona devastada pelos terremotos que atingiram o país na última quarta-feira. Desde o dia 27, o governo começou a emitir salvo-condutos para voluntários que desejam entrar na área mais afetada, localizada em La Guaira. O cenário, marcado por uma enorme fila em frente ao Poliedro de Caracas, reflete a impotência e indignação dos socorristas que buscam ajudar as vítimas.
Os terremotos, com magnitudes de 7,2 e 7,5, causaram a destruição de centenas de edifícios e resultaram em um número oficial de mortos que ultrapassa 1.400. As Nações Unidas estimam que cerca de 50 mil pessoas estejam desaparecidas, o que torna a urgência de resgatar sobreviventes ainda mais crítica. Os voluntários, que se mobilizaram rapidamente após os tremores, enfrentam um caos que impede a passagem de ambulâncias, dificultando o atendimento aos feridos.
A militarização do estado e as novas regras impostas pelo governo, que exigem uma autorização para o acesso à região, têm gerado revolta entre os voluntários. Carlos Itriago, socorrista de 27 anos, expressou sua indignação ao afirmar que é absurdo precisar de uma autorização para salvar vidas. O processo de emissão dos salvo-condutos se tornou um entrave, com muitos voluntários relatando que passaram horas na fila sem conseguir entrar.
Luis Toro, de 56 anos, e Samuel Rodríguez, de 24 anos, também manifestaram seu descontentamento. Toro destacou a frustração de perder a manhã inteira esperando, enquanto Rodríguez, que carregava uma bandeira venezuelana, lamentou a dificuldade em resgatar pessoas. Ezequiel Rivero, de 53 anos, destacou a urgência da situação ao perguntar quantas vidas poderiam ser perdidas enquanto aguardavam na fila.
Em resposta à situação, o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, afirmou que os voluntários devem seguir para a região de maneira organizada. Ele informou que, até o momento, 2.242 socorristas voluntários foram registrados e que aproximadamente 30 mil especialistas venezuelanos estão atuando no resgate e atendimento emergencial. Além disso, há a participação de mais de 2.200 socorristas provenientes de 21 brigadas internacionais, que também estão contribuindo para as operações de socorro.