Atos de vandalismo e o desrespeito às áreas interditadas têm comprometido o andamento das obras do Novo Inter 2 e do BRT Leste/Oeste, em Curitiba. Invasões em trechos recém-concretados, danos à sinalização e a remoção de barreiras de segurança têm provocado atrasos no cronograma, exigindo a reconstrução de estruturas recém-executadas.
Os problemas mais frequentes envolvem pedestres, ciclistas, tutores acompanhados de animais de estimação e até motoristas que ignoram bloqueios para atravessar locais em obras. Em diversos casos, o concreto ainda em processo de cura recebeu marcas de pneus, pegadas e outros danos antes de atingir a resistência necessária, tornando inevitável a demolição e a refação dos trechos afetados.
Além do impacto direto nos serviços, o retrabalho prolonga desvios no trânsito, mantém bloqueios por mais tempo e posterga a entrega de melhorias aguardadas pelos moradores. O desperdício de materiais também gera consequências ambientais, com aumento do consumo de concreto, água e combustível, além da necessidade de mobilizar novamente máquinas e equipes.
Segundo a engenheira Natália Longen, da Secretaria Municipal de Obras Públicas, mesmo danos aparentemente pequenos podem exigir a reconstrução completa de uma placa de concreto. “Para evitar remendos e preservar a qualidade da estrutura, muitas vezes é necessário refazer toda a extensão executada”, explica.
Uma das situações ocorreu na Avenida Affonso Camargo, nas proximidades da Rodoferroviária. A passagem de um ciclista sobre o concreto fresco da canaleta exclusiva para ônibus deixou marcas profundas na superfície, exigindo a reconstrução integral do trecho. Em calçadas recém-concluídas, equipes encontraram pegadas de pessoas e animais. Em alguns casos, houve até registros de nomes escritos no piso ainda úmido.
Para Felipe Richter Cordeiro, engenheiro da empresa responsável por parte das obras do BRT, os prejuízos vão além do aspecto financeiro. “Quando um serviço precisa ser refeito, há desperdício de materiais e aumento das emissões relacionadas ao transporte e à operação de equipamentos. Também é necessário reorganizar o planejamento e manter bloqueios por mais tempo, o que gera transtornos para toda a população”, afirma.
Casos semelhantes foram registrados em diferentes regiões da cidade, incluindo as ruas Emanuel Kant e Infante Dom Henrique, no Capão Raso; Paulo Setúbal, no Hauer; Coronel Airton Plaisant, no Santa Quitéria; Fernando Simas, no Bigorrilho; e Arion Niepce da Silva, no Portão.
Embora o custo imediato dos reparos não recaia diretamente sobre os cofres públicos, os impactos são compartilhados por todos os cidadãos. Cada intervenção refeita representa mais tempo de convivência com obras, alterações no tráfego e atraso na entrega de benefícios voltados à mobilidade urbana.
A diretora do Departamento de Pavimentação da Secretaria Municipal de Obras Públicas, Manuela Marqueño, ressalta que todas as intervenções contam com sinalização específica para orientar pedestres e motoristas. Apesar disso, há situações em que os próprios dispositivos de segurança são alvo de depredação.
“Respeitar a sinalização é uma forma de colaborar diretamente com o andamento das obras. As intervenções estão sendo realizadas para melhorar a mobilidade e a qualidade de vida da cidade, por isso é fundamental que todos contribuam para a preservação dos trabalhos”, destaca.
O engenheiro Paulo Egydio, da ViaPlan Engenharia, lembra que o pavimento de concreto oferece maior durabilidade e menor necessidade de manutenção, mas exige que o período de cura seja rigorosamente respeitado. “Quando alguém invade uma área recém-concretada, pode comprometer um trabalho que levou dias ou semanas para ser executado corretamente”, afirma.
A Prefeitura orienta que casos de invasão de áreas interditadas, retirada de cercas, danos à sinalização ou outras ações que prejudiquem o andamento das obras sejam denunciados pela Central 156. Em situações de flagrante, a recomendação é acionar a Guarda Municipal pelo telefone 153.
Além dos transtornos causados à coletividade, o vandalismo contra estruturas públicas configura crime. O artigo 163 do Código Penal Brasileiro prevê pena de detenção de até seis meses e aplicação de multa para quem causar dano ao patrimônio público.
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Fonte:Paraná Jornal