Tratado entre Mercosul e União Europeia inicia após 26 anos de negociações

O acordo que estabelece a maior área de livre comércio do mundo entra em vigor, permitindo que mais de 80% das exportações brasileiras para a UE tenham tarifas zeradas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destaca a importância do tratado para o comércio internacional.

O acordo comercial firmado entre o Mercosul e a União Europeia (UE) entrou em vigor nesta sexta-feira, 1º, após um longo período de 26 anos de negociações. Com isso, é estabelecida a maior área de livre comércio do planeta, que promete uma redução significativa nas tarifas de importação sobre produtos brasileiros destinados ao mercado europeu.

A implementação do tratado ocorre de forma provisória, enquanto ainda aguarda a análise do Tribunal de Justiça da União Europeia, um processo que pode levar até dois anos. Neste primeiro momento, mais de 80% das exportações brasileiras para a Europa terão isenção de tarifas, conforme estimativas divulgadas pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Essa isenção tarifária visa diminuir os custos de entrada dos produtos brasileiros no mercado europeu, aumentando assim a competitividade em relação a outros concorrentes internacionais. Inicialmente, mais de 5 mil itens, especialmente bens industriais, passam a contar com tarifas zeradas nesta fase do acordo.

O tratado do Mercosul com a UE abre as portas para um mercado que conta com mais de 700 milhões de consumidores, o que deve contribuir para elevar a competitividade das empresas brasileiras no cenário internacional. Atualmente, os países com os quais o Brasil possui acordos comerciais respondem por aproximadamente 9% das importações globais, com a inclusão da UE, esse número pode alcançar 37%.

Além da redução de tarifas, o acordo estabelece diretrizes comuns para o comércio, padrões técnicos e compras governamentais, proporcionando maior previsibilidade para as empresas. Contudo, nem todos os produtos terão suas tarifas eliminadas de imediato. Os setores considerados mais sensíveis deverão passar por uma redução progressiva: até 10 anos na UE, até 15 anos no Mercosul e, em alguns casos, até 30 anos.

Esse cronograma gradual tem como objetivo permitir que as economias se adaptem e protejam setores mais vulneráveis à concorrência externa. A entrada em vigor do acordo marca o início de sua aplicação prática, e detalhes operacionais, como a distribuição de cotas de exportação entre os países do Mercosul, ainda serão definidos.